quinta-feira, 19 de abril de 2018

A IMPORTÂNCIA DO REGISTRO NO DIÁRIO DE CLASSE


Em nosso site temos na íntegra a "Orientação técnica para preenchimento do diário de classe", ainda o artigo "Registro e portfólio", e "Avaliação e Registro"; que tratam da importância do registro. O artigo abaixo, da Revista Nova Escola, traz uma visão do tema
Penso, logo registro. Ou o diário além da burocracia

Felipe Bandoni
Professor de Ciências na Educação de Jovens e Adultos (EJA) do Colégio Santa Cruz, em São Paulo
"Felipe, você lembra do estudo com câmeras de lata? Eu escrevi: ‘Uma das fotos não ficou como eu esperava, mas depois deu certo’", me disse um ex-aluno que encontrei na escola em que lecionei há dez anos. A observação a respeito da atividade, parte de uma investigação sobre fotografia, tinha sido escrita por ele em um caderno elaborado coletivamente em sala. Fiquei surpreso em ver que, além das amizades, ele se recordava especificamente do registro.

A instituição havia tido o cuidado de guardar essa e outras produções dos estudantes, então fomos buscar o tal caderno. Lá, encontramos a frase recitada pelo garoto. Minhas lembranças daquele projeto, não tão nítidas quanto as dele, foram reavivadas pelas anotações que fiz na época. A experiência foi extremamente interessante tanto pelo prazer de relembrar a atividade quanto pelas reflexões derivadas da leitura - ao reler o que escrevi quando ainda era um professor iniciante, pude recordar um pouco do meu percurso formativo como docente. Nada disso teria sido possível se eu não tivesse documentado minhas impressões naquele momento.

Grande parte dos professores faz algum tipo de registro. O mais comum é o diário de classe, em que colocamos faltas, notas e explicações breves sobre o que foi ensinado. Muitas vezes essas anotações são meramente burocráticas, ou seja, apenas uma obrigação a ser cumprida pelo educador. Penso que o diário deve ser muito mais rico que isso. Ele pode conter registros que nos levem a pensar sobre nossa prática e contribuam para aperfeiçoá-la. Ao colocar no papel uma descrição viva dos eventos em sala, podemos observar nossa atuação fora do calor do momento.

Essas anotações são também importantes instrumentos avaliativos. É comum que os estudantes exponham seus aprendizados fora de situações formais de mensuração dos saberes, como provas ou apresentações. Essas manifestações não podem passar despercebidas. Uma participação que demonstra que o aluno aprendeu (ou não) determinado conteúdo é importantíssima de ser registrada. Além de ser um modo de auxiliar na identificação da evolução do estudante, pode subsidiar discussões com a turma, com outros professores ou com os pais sobre o processo de aprendizado.
Não restrinjo minhas anotações ao diário. O material didático que preparo para as aulas também está cheio de rabiscos! Quando o distribuo para os alunos, por exemplo, mantenho uma cópia comigo. Vou fazendo registros variados enquanto eles executam a atividade: escrevo sobre o desempenho dos estudantes e o ritmo da turma para cumprir a proposta, mas também comento sobre o próprio recurso, as escolhas didáticas que fiz e o encaminhamento que dei aos conteúdos.

Tanta coisa escrita não tem valor se ficar guardada. Por isso, é essencial retomar os registros sempre que forem úteis. O primeiro passo é organizá-los: guardo os meus em pastas por turmas, além de ter sempre à mão o caderno que levo a todas as aulas. Acesso o que preciso conforme o momento do ano. O que anotei sobre os alunos ressurge em reuniões pedagógicas e conselhos de classe. O material comentado, por sua vez, é revisto a cada novo planejamento - e aprimorado.

Diversos teóricos da Educação afirmam que escrever organiza o pensamento. Concordo. No caso específico dos registros de aula, a grande contribuição é a possibilidade de refletir sobre o fazer docente. Eles são a memória do percurso seguido, ajudam a averiguar o que deu certo e errado e contêm pistas dos caminhos a seguir. Também não deixam de ser a recordação de um bom trabalho. Muitas vezes, nos inspiram a fazer outros que também ficarão na lembrança.
Acesso, https://novaescola.org.br/, em 19/04/2018

terça-feira, 10 de abril de 2018

APA: plano de manejo flexibiliza a ocupação


As áreas urbanas dos distritos de Sousas, Joaquim Egídio, e dos bairros Carlos Gomes, Chácaras Gargantilha e Jardim Monte Belo, que formam a Área de Proteção Ambiental de Campinas (APA-Campinas), poderão receber empreendimentos imobiliários com lotes mínimos de 500 metros quadrados (m²), metade do tamanho exigido hoje. Vai admitir também, em caso de moradias populares, lotes mínimos de 270m². A mudança vai permitir maior adensamento na área urbana.
A proposta está no projeto do Plano de Manejo da APA-Campinas, que será entregue pela Prefeitura no dia 5 de junho, Dia Mundial do Meio Ambiente, informou o secretário do Verde, Rogério Menezes. Segundo ele, o atual perímetro urbano não sofrerá alteração, mas poderá ter de avançar se houver necessidade de áreas para moradia. A Secretaria de Habitação está fazendo um estudo de demanda para avaliar essa necessidade. “A intenção não é ter área para um grande programa de habitação, mas sim para atender o passivo existente, que está sendo levantado com uma projeção de demanda para a próxima década”, afirmou.
O plano de manejo é um documento técnico que estabelece o zoneamento e as normas que devem ser elaboradas para o uso da área e a utilização dos recursos naturais. Na prática, um plano de manejo preserva ecossistemas, por meio dos zoneamentos e da previsão da estrutura, evitando construções que podem afetar o meio ambiente. Criada em 2001, a APA deveria ter seu plano de manejo pronto em cinco anos, como manda a lei. Até agora, no entanto, as regras de uso da área e dos recursos naturais não estão prontas.
A redução do tamanho dos lotes enfrenta resistência do Conselho Gestor da APA. Segundo a coordenadora da Câmara Técnica do Plano de Manejo no conselho, Ângela Podolsky, essa redução contradiz as diretrizes do Plano de Manejo que defende o não adensamento da área urbana. “Não é possível aumentar o número de pessoas na região por falta de infraestrutura e, além disso, 80% da área urbana já estão comprometidas com projetos implantados ou em andamento. A redução do tamanho dos lotes não atende a demanda por moradia popular, nem mesmo com a redução para 270m², porque a terra é cara”, afirmou.
Na área rural, segundo o secretário, não será permitido o parcelamento, mas o plano traz mudanças em relação ao uso dessa área, que poderá receber atividades econômicas de baixo impacto, como a instalação de pequenas pousadas, restaurantes, atividades de turismo, fabricações locais de produtos da região, como, por exemplo, a produção de doces.
Menezes afirmou que a proposta visa dar viabilidade econômica aos projetos, porque se não houver um desenvolvimento econômico forte, não há margem para a recuperação dos passivos existentes. “É possível conciliar desenvolvimento econômico com preservação ambiental. A nossa APA-Campinas é de desenvolvimento sustentável e estamos trabalhando um plano de manejo que dê essa garantia para aquela região”, afirmou.
O projeto propõe a implantação de oito zonas, com regras de uso e ocupação diferenciadas para cada uma. Elas estão divididas em zona de Conservação da Biodiversidade, de Conservação Geoambiental, de Proteção de Manancial, de Manejo Sustentável, de Ocupação Controlada, de Proteção Ambiental e de Cisalhamento (são faixas com terrenos propensos à recarga hídrica subterrânea em razão do fraturamento e falhamento das rochas).

Área tem remanescente da Mata Atlântica e muita água

Com aproximadamente 222 quilômetros quadrados de extensão, o que é quase um terço do território de Campinas, a APA-Campinas é a área de maior concentração de água e matas naturais do Município, registrando 60% da Mata Atlântica remanescente e uma vegetação típica de ambientes rochosos (hoje em dia de rara presença). Com fauna e flora diversificada, além de uma paisagem diferenciada pela presença de serras e morros, a região conta com 250 espécies de aves, 68 de mamíferos, 45 de anfíbios e 40 de répteis. Macacos, tatus, tucanos, maritacas, capivaras, sabiás, além de animais ameaçados de extinção como a jaguatirica, a suçuarana, o sagui, a lontra e a paca vivem na APA.
Nestes distritos acham-se preservadas também parte das antigas fazendas de açúcar e café que configuraram o Município como centro do complexo cafeicultor paulista. Além das fazendas, dois núcleos urbanos continuam a manter arruamentos e casarios das últimas décadas do século XIX, ou ainda, monumentos remanescentes (estação, ponte, instalações) do antigo Ramal Férreo Campineiro, a “cabrita”, estrada de ferro criada em 1889 e substituída em 1918 por bondes elétricos que perduraram até 1956.


 Publicado 10/04/2018 - 07h43 - Atualizado 10/04/2018 - 07h43
Por MariaTeresa Costa
http://correio.rac.com.br/_conteudo/2018/04/campinas_e_rmc/543156-apa-plano-de-manejo-flexibiliza-a-ocupacao.html, acesso em 10/04/2018