sábado, 27 de março de 2021

PROGRAMAÇÃO PARA A SEMANA DE 29/03 a 01/04


Nesta semana, serão reforçadas habilidades desenvolvidas desde o início do ano, através do CMSP - Centro de Mídias de São Paulo. 


Alunos que tenham tarefas atrasadas, devem postá-las no local específico na sala virtual, em nosso site.

Somente nestes dias não usaremos nossas SALAS VIRTUAIS, que voltarão normalmente em 05/04/2010 com aulas ministradas por nossos professores 





   




segunda-feira, 22 de março de 2021

Inteligência emocional e desenvolvimento socioemocional precisam ser prioridades

Inteligência emocional e desenvolvimento socioemocional precisam ser prioridades

Com ou sem aulas presenciais, trabalhar nas crianças e adolescentes tais capacidades continuam sendo vitais, ainda mais em tempos pandêmicos

Por Sueli Conte*: Seja adotando aulas online, presenciais ou híbridas, a maior preocupação nesse momento deve ser direcionada ao cuidado com a inteligência emocional e ao desenvolvimento de um trabalho socioemocional com as crianças e os adolescentes. Esses temas nunca estiveram tão em alta. Eles já tinham sua relevância, mas com a pandemia fica ainda mais claro que aplicar essas questões proporciona inúmeros benefícios.

Dentro da competência socioemocional são trabalhados pontos essenciais para o desenvolvimento humano. Podemos reforçar na criança a sua própria identidade, ou seja, ajudá-las a entender quem elas são, quais os seus pontos fortes e fracos e, até mesmo, orientá-las quanto a identificação e como lidar com os mais variados sentimentos. Com as habilidades socioemocionais entendidas, torna-se possível alcançar, de forma mais assertiva, os objetivos traçados, fica mais simples tomar decisões de maneira responsável e até gerenciar as próprias emoções.

inteligência emocional e desenvolvimento socioemocional

Foto: Envato Elements

Parceria escola e família

Quanto mais cedo as pessoas têm consciência da importância das habilidades socioemocionais, melhores são os resultados em diversos setores da vida. Isso significa que entender desenvolver e buscar compreender tais aspectos desde a infância traz benefícios reais e garante preparo e equilíbrio para a vida adulta.

Pensando assim, o ideal é que os pais e responsáveis transformem em rotina o estímulo a certas habilidades, como: desenvolver empatia, apreciar a diversidade e, acima de tudo, respeitar os outros e as diferenças existentes entre as pessoas.

Claro, também é possível trabalhar o tema na escola. Aliás, o desenvolvimento das habilidades socioemocionais em crianças precisa ser realizado em parceria entre a escola e a família, uma vez que essas características estão no dia a dia, nas pequenas atitudes, desde as atividades mais simples até as mais complexas. Não se constrói isso sem a participação da família ou sem a ajuda da escola.

Desenvolvimento do afeto

Incentivar e ensinar crianças e adolescentes a estabelecer relacionamentos com os colegas da escola, que eles saibam lidar com diferentes opiniões e costumes e, principalmente, a trabalhar em equipe são alguns pontos chaves, assim como é extremamente interessante que eles aprendam a lidar com os próprios conflitos, sejam eles internos ou externos.

Afirmo com segurança que meninos e meninas que conhecem e respeitam os próprios sentimentos, que têm empatia pelo outro, que conhecem limites e sabem respeitar as vontades dos outros, tornam-se adultos mais seguros, menos suscetíveis a julgamentos e muito mais felizes com as próprias escolhas.

*Sueli Conte é especialista em educação, mestre em neurociências, psicopedagoga, diretora e mantenedora do Colégio Renovação, com unidades nas cidades de São Paulo e Indaiatuba.

A história, os pilares e os objetivos da educação socioemocional

Pamela Bruening, especialista norte-americana, fala em entrevista à Educação sobre conceitos de educação socioemocional e os benefícios de sua implantação nas escolas

Solidariedade, amizade, responsabilidade, colaboração, empatia, organização, ética, cidadania, honestidade. Esses valores (ou características) — tão desejáveis nos relacionamentos humanos e cada vez mais requisitados e necessários nos dias de hoje — deverão ser ensinados, praticados ou pelo menos estimulados também nas escolas. É o que dizem as novas diretrizes da Base Nacional Comum Curricular (BNCC).

A partir de 2020, todas as escolas brasileiras terão de incluir as habilidades socioemocionais nos seus currículos. Ou seja, haverá a necessidade de adaptar os programas escolares e treinar os professores para que possam ministrar essas novas competências — que têm foco em habilidades não cognitivas, muito mais relacionadas ao comportamento e à administração das próprias emoções, mas que impactam positivamente o indivíduo e a relação dele com o mundo ao seu redor.

A Educação Sociemocional (em inglês, SEL – Social Emotional Learning) é o processo através do qual os alunos aprendem, dentro do currículo escolar, a refletir e efetivamente aplicar conhecimentos e atitudes necessários ao longo da vida escolar, educando os corações, inspirando mentes, materializando projetos e contribuindo para a transformação desses estudantes pela educação.

Segundo a professora e doutora norte-americana Pamela Bruening, o conceito de aprendizagem socioemocional foi formalmente desenvolvido há cerca de 20 anos. Diretora pedagógica do Cloud9World, um programa de educação socioemocional disponível em português com a denominação Nuvem9Brasil, Pamela escreveu 18 livros sobre o tema e tem 30 anos de experiência nos ensinos fundamental, médio e superior. É especialista em projetos de melhoria da escola, liderança educacional, intervenção, avaliação de programas e estratégias educativas e desenvolvimento de currículos. Além de palestrante e conferencista internacional de Educação, também presta consultoria para o desenvolvimento profissional de professores, administradores, conselhos escolares e produtos educativos.

Nesta entrevista à Educação, ela aborda os conceitos de educação socioemocional e os benefícios de sua implantação nas escolas.

habilidades socioemocionais

Foto: Shutterstock

Onde surgiu e o que é a educação socioemocional?

O conceito de aprendizagem socioemocional foi formalmente desenvolvido há cerca de 20 anos. Nos Estados Unidos, em 1994, um grupo de pesquisadores com o objetivo de investigar o impacto da aprendizagem socioemocional na educação criou o CASEL, uma organização mundial que promove o aprendizado acadêmico, social e emocional integrado para todas as crianças da pré-escola até o ensino médio. Naquela época, as escolas e todo o sistema educacional estavam promovendo a prevenção sobre o uso de drogas e a violência, a educação moral e cívica, bem como a educação sexual.

A educação socioemocional foi desenvolvida e introduzida como uma estrutura para atender às necessidades dos jovens e apoiar o alinhamento de uma série de programas e iniciativas escolares. Ao longo do tempo, uma meta-análise de estudos, o apoio da Association for Supervision and Curriculum Development e pesquisas em andamento proporcionaram uma maior conscientização da necessidade de um esforço coordenado da educação socioemocional na rede escolar, que resultou em um aumento do desempenho acadêmico dos alunos. Alguns estados americanos, bem como o governo federal, reconheceram o valor desses programas e o impacto positivo nos alunos e nas escolas.

Quais são seus pilares de sustentação?

Os pilares que apoiam a educação socioemocional incluem autoconhecimento, autogerenciamento, tomada responsável de decisões, habilidades de relacionamento e consciência social. Essas bases incluem contextos na escola, em casa e na comunidade, o que essencialmente significa que este tema precisa ser abordado em todos os grupos de participantes que se relacionam com a escola.

O conceito de educação socioemocional sempre esteve intrínseco ao espaço da escola ou é algo novo nesse ambiente?

Em anos passados, a educação socioemocional existiu no ambiente escolar de variadas formas. Às vezes, isso estava revestido dentro da própria cultura escolar, outras vezes na educação do caráter e, de certa forma, até como suporte para projetos de comportamento positivo. O ponto principal, independentemente da forma adotada, é que a autoconsciência e o autogerenciamento levam a uma maior sensibilidade aos outros e ao aumento de comportamentos pró-sociais. Nos últimos anos, a educação socioemocional ganhou força, especialmente a ideia de que suas habilidades precisavam ser ensinadas propositadamente e que os alunos precisavam de oportunidades para praticar essas habilidades.

Qual a importância da educação socioemocional no desenvolvimento acadêmico?

Pesquisas em todo o mundo apontam que o melhor aprendizado ocorre em ambientes seguros e saudáveis, ou seja, o aprendizado ocorre em um contexto social. De certo modo, é difícil separar aspectos sociais e emocionais de processos de aprendizagem acadêmica. Além disso, os componentes das habilidades socioemocionais, no caso dos Estados Unidos, estão totalmente ligados a requisitos da American Common Core [a base norteadora de educação daquele país, o que similarmente está acontecendo com a BNCC, no Brasil], e autorregularão trabalho em equipe, empatia, cooperação e uma série de valores que fortalecem o caráter humano e tão necessários para as demandas do século 21.

Há praticamente um consenso de que as habilidades socioemocionais devem ser trabalhadas dentro dos currículos escolares e não como um apêndice extracurricular. Por quê?

Atividades extracurriculares são frequentemente tidas como algo opcional e desnecessário. A quantidade de pesquisas que apoiam a educação socioemocional e seu im­pacto no desempenho acadêmico e na cultura escolar tornou comum a integração do desenvolvimento dessas habilidades aos currículos escolares, dando à Educação Socioemocional seu merecido lugar de importância na educação.

O CASEL divulgou pesquisas de desempenho de implementação delineando os passos iniciais que os distritos escolares [grupo de escolas por região nos EUA] deveriam tomar na implementação de uma abordagem sistêmica para a educação socioemocional em toda a escola e em salas de aula individuais. Eles são encorajados a alinhar as instruções de educação socioemocional dentro do currículo existente.

Um bom exemplo de como isso pode ser feito é com o uso de padrões ELA [Education Learning Acquisition – um programa de educação norte-americano] em que os processos de leitura e compreensão de textos (ficção ou não ficção) expliquem aspectos da educação socioemocional em um formato instrucional direto. As atividades são projetadas para mostrar ao aluno as habilidades socioemocionais e estão alinhadas aos padrões ELA, podendo ser ensinadas por todas as matérias. A educação socioemocional também pode ser reforçada durante todos os dias do ano letivo por meio do apoio ao comportamento positivo na escola, tornando-se parte integrante da vida de todos os alunos.

Existem abordagens diferentes na implantação da educação socioemocional?

Muitos programas focam mais suas abordagens em comportamentos do que em virtudes humanas. No entanto, os comportamentos costumam ser os resultados dos valores mais profundos ou a falta deles. O Cloud9World, por exemplo, busca tocar o âmago da pessoa, onde os valores são capazes de impulsionar mudanças de comportamento e tomadas de decisões. Por isso fornece às escolas uma linguagem simples e comum, focada em compreender e desenvolver valores essenciais que promovem comportamentos positivos e relacionamentos saudáveis. A intenção é integrar a educação socioemocional a todas as áreas do currículo, em todas as séries da educação básica, o que torna essa integração muito mais fácil para os professores. As chamadas forças de caráter são ensinadas e reforçadas por meio da leitura, escrita, fala e colaboração com os colegas durante as rotinas escolares, de forma a contribuir com o clima escolar.

Em sua opinião, como um programa de educação socioemocional deve ser estruturado na escola?

É importante que permita aos alunos aprender a partir de uma variedade de virtudes e valores, características que podem ser, por exemplo, os pontos fortes de personagens, incentivadas por meio de histórias, vídeos e instruções diretas. Planos de atividades flexíveis e um suporte constante permitem que os professores forneçam aos alunos instruções diretas, práticas e troca de expe­riências. As avaliações garantem a compreensão e o crescimento do aluno. À medida que escolas implementam um programa de forma integral, a cultura escolar se torna mais positiva e os pais se envolvem com as atividades dirigidas a eles em casa. Assim, crianças e adultos garantem uma maior compreensão dos valores, de forma prática, em todas as áreas da vida.

As transformações sociais têm ocorrido cada vez mais rapidamente. Pode-se falar que existem novas ou reformuladas virtudes?
Acredito que à medida que nossa sociedade muda, especialmente com a influência da tecnologia, algumas virtudes ou pontos fortes do caráter humano serão mais influenciados do que outros. Muito disso é baseado nas necessidades apontadas pelo mercado de trabalho. Torna-se imprescindível, então, que um programa de educação socioemocional também tenha abordagens voltadas para as demandas do século 21. Por esse motivo, acredito que novos valores sempre surgirão e algumas forças de caráter podem ser mais valorizadas do que outras em diferentes momentos, com base nas necessidades dos alunos. As virtudes clássicas provavelmente sempre serão valorizadas, já que muitas das mais recentes estão relacionadas, em parte, a elas.

Então é preciso trabalhar algumas virtudes mais do que outras?
Acredito que a educação socioemocional deve enfatizar a importância de todas as virtudes. Reconheço, no entanto, que as escolas, devido às peculiaridades dos países em que estão, podem ter de adotar pontos fortes específicos antes das outras, com base nas necessidades de seus alunos. Temos um trabalho de orientação às escolas, mas grande parte desta escolha, sobre qual virtude trabalhar primeiro, é feita pela própria instituição de ensino.


As aprendizagens essenciais definidas na Base Nacional Comum Curricular (BNCC) devem concorrer para assegurar aos estudantes o desenvolvimento de dez competências gerais no decorrer da educação básica que, diz o documento, “consubstanciam, no âmbito pedagógico, os direitos de aprendizagem e desenvolvimento”. Competência é definida na BNCC como a “mobilização de conhecimentos (conceitos e procedimentos), habilidades (práticas, cognitivas e socioemo­cionais), atitudes e valores para resolver demandas complexas da vida cotidiana, do pleno exercício da cidadania e do mundo do trabalho”. No texto, os educadores destacam a necessidade das competências “inter-relacionarem-se e desdobrarem-se no tratamento didático proposto para as três etapas”, o infantil, o fundamental e o médio.

10 competências BNCC

Escolas têm até 2020 para incluir as diretrizes descritas no documento (foto: Shutterstock)

A seguir, Educação lista as dez competências gerais definidas no texto da BNCC com comentários críticos de Anna Penido, diretora do Instituto Inspirare e integrante do Movimento Pela Base. E enumera os Eixos Estruturantes do Ensino Infantil, dos quais derivam seis Direitos de Aprendizagem e Desenvolvimento e cinco Campos de Experiência para a primeira das três etapas da educação básica. Confira:

Os dois Eixos Estruturantes do Ensino Infantil são: Interações e Brincadeiras.

Baseado neles deve-se assegurar seis Direitos de Aprendizagem e Desenvolvimento. São eles: Conviver, Brincar, Participar, Explorar, Expressar e Conhecer-se.

Considerando os seis direitos, a BNCC define cinco campos de experiência para aprendizado e desenvolvimento: Eu, o Outro e o Nós; Corpo, Gestos e Movimentos; Traços, Sons, Cores e Formas; Escuta, Fala Pensamento e Imaginação; e Espaços, Tempos, Quantidades, Relações e Transformações

Entenda as 10 competências gerais da BNCC

O que diz a BNCC sobre estrutura e competências gerais. Educação descreve as 10 competências junto a comentários de especialistas


1.Conhecimento — Valorizar e utilizar os conhecimentos historicamente construídos sobre o mundo físico, social, cultural e digital para entender e explicar a realidade, continuar aprendendo e colaborar para a construção de uma sociedade justa, democrática e inclusiva.
Objetivo: Entender e explicar a realidade, colaborar com a sociedade e continuar a aprender.

2.Pensamento Científico, Crítico e Criativo — Exercitar a curiosidade intelectual e recorrer à abordagem própria das ciências, incluindo a investigação, a reflexão, a análise crítica, a imaginação e a criatividade, para investigar causas, elaborar e testar hipóteses, formular e resolver problemas e criar soluções (inclusive tecnológicas) com base nos conhecimentos das diferentes áreas.
Objetivo: Investigar causas, elaborar e testar hipóteses, formular e resolver problemas e criar soluções.

3.Repertório Cultural  Valorizar e fruir as diversas manifestações artísticas e culturais, das locais às mundiais, e também participar de práticas diversificadas da produção artístico-cultural.
Objetivo: Fruir e participar de práticas diversificadas da produção artístico-cultural.

4.Comunicação — Utilizar diferentes linguagens – verbal (oral ou visual-motora, como Libras, e escrita), corporal, visual, sonora e digital –, bem como conhecimentos das linguagens artística, matemática e científica, para se expressar e partilhar informações, experiências, ideias e sentimentos em diferentes contextos e produzir sentidos que levem ao entendimento mútuo.
Objetivo: Expressar-se e partilhar informações, sentimentos, ideias, experiências e produzir sentidos que levem ao entendimento mútuo.

5.Cultura Digital — Compreender, utilizar e criar tecnologias digitais de informação e comunicação de forma crítica, significativa, reflexiva e ética nas diversas práticas sociais (incluindo as escolares) para se comunicar, acessar e disseminar informações, produzir conhecimentos, resolver problemas e exercer protagonismo e autoria na vida pessoal e coletiva.
Objetivo: Comunicar-se, acessar e produzir informações e conhecimento, resolver problemas e exercer protagonismo de autoria.

6.Trabalho e Projeto de Vida — Valorizar a diversidade de saberes e vivências culturais e apropriar-se de conhecimentos e experiências que lhe possibilitem entender as relações próprias do mundo do trabalho e fazer escolhas alinhadas ao exercício da cidadania e ao seu projeto de vida, com liberdade, autonomia, consciência crítica e responsabilidade.
Objetivo: Entender o mundo do trabalho e fazer escolhas alinhadas à cidadania e ao seu projeto de vida com liberdade, autonomia, criticidade e responsabilidade.

7.Argumentação — Argumentar com base em fatos, dados e informações confiáveis, para formular, negociar e defender ideias, pontos de vista e decisões comuns que respeitem e promovam os direitos humanos, a consciência socioambiental e o consumo responsável em âmbito local, regional e global, com posicionamento ético em relação ao cuidado de si mesmo, dos outros e do planeta.
Objetivo: Formular, negociar e defender ideias, pontos de vista e decisões comuns com base em direitos humanos, consciência socioambiental, consumo responsável e ética.

8.Autoconhecimento e Autocuidado — Conhecer-se, apreciar-se e cuidar de sua saúde física e emocional, compreendendo-se na diversidade humana e reconhecendo suas emoções e as dos outros, com autocrítica e capacidade para lidar com elas.
Objetivo: Cuidar da saúde física e emocional, reconhecendo suas emoções e a dos outros, com autocrítica e capacidade para lidar com elas.

9.Empatia e Cooperação — Exercitar a empatia, o diálogo, a resolução de conflitos e a cooperação, fazendo-se respeitar e promovendo o respeito ao outro e aos direitos humanos, com acolhimento e valorização da diversidade de indivíduos e de grupos sociais, seus saberes, identidades, culturas e potencialidades, sem preconceitos de qualquer natureza.
Objetivo: Fazer-se respeitar e promover o respeito ao outro e aos direitos humanos, com acolhimento e valorização da diversidade, sem preconceito de qualquer natureza.

10.Responsabilidade e Cidadania — Agir pessoal e coletivamente com autonomia, responsabilidade, flexibilidade, resiliência e determinação, tomando decisões com base em princípios éticos, democráticos, inclusivos, sustentáveis e solidários.
Objetivo: Tomar decisões com princípios éticos, democráticos, inclusivos, sustentáveis e democráticos.
Fontes: Texto da terceira versão da BNCC Infantil e Fundamental, MEC, Porvir e Anna Penido, diretora do Instituto Inspirare e integrante do Movimento Pela Base (leitura crítica)


domingo, 21 de março de 2021

E SE AS CRIANÇAS PERDEREM O ANO ESCOLAR?

 " E se as crianças perderem o ano escolar

E se em vez de aprender matemática aprenderem a cozinhar?
Costurar suas roupas? Limpar?
A cultivar uma horta no quintal?
Se aprenderem a cantar músicas para seus avós ou seus irmãos mais meninos?
Se aprenderem a cuidar dos seus animais de estimação e a tomar banho?
Se desenvolverem sua imaginação e pintarem um quadro?
Se aprenderem a ser mais responsáveis e conectados com toda a família em casa?
Se nós os pais os ensinamos a ser boas pessoas?
Se aprenderem e souberem que estando juntos e saudáveis é muito melhor do que ter o último celular de moda?
Talvez isso nos falta, e se eles aprenderem, talvez não perdemos um ano, talvez ganhemos um tremendo futuro."


Fonte: Facebook https://www.facebook.com/628383507294330/posts/2091409680991698/?sfnsn=wiwspwa - Professor irônico 3.0, publicado em 20.06.2020, pesquisado em 21.03.2021.


Os erros pedagógicos que estamos cometendo durante a pandemia

 

Os erros pedagógicos que estamos cometendo durante a pandemia

Temos que ser profissionais. Não podemos nos render às respostas fáceis e superficiais. Temos que criar uma comunidade científica entre educadores. Definir rumos corretos, socializar experiências exitosas. Basta de gerencialismos que andam em círculos

Rudá Ricci, cientista político e presidente do Instituto Cultiva


Este meu breve texto se concentrará em quatro aspectos que considero erros grosseiros que estamos cometendo no Brasil em relação à educação durante a pandemia. Começarei pela adoção do famigerado módulo-aula. A aula de 50 minutos é uma leve alteração da aula de 40 minutos adotada nos EUA na última década do século XIX. Foi uma sugestão de Joseph Mayer Rice.

Rice sustentava que a educação deveria ter o foco na formação para a indústria. Daí, as disciplinas mais importantes seriam aquelas vinculadas à produção industrial: matemática, física, química, biologia e comportamento. A leitura (para o operário ler instruções) completava esta normativa. O educador taylorista, então, dividiu o número de aulas que considerava necessária para o desenvolvimento, em quatro anos do ensino “primário” pelo tempo de aula naquele momento e chegou aos 40 minutos. O módulo-aula, então, não tem relação alguma com qualquer aspecto pedagógico.
Se tivesse alguma relação com a estrutura mental, o módulo aula teria 20 minutos, tempo máximo de concentração de crianças e adolescentes no mundo atual. Para Larry Rosen, professor da Universidade Estadual da Califórnia, a capacidade média de concentração é de apenas cinco minutos.
A estranha transposição do módulo-aula para as modalidades de ensino remoto parece um atalho completamente desqualificado. A concentração em tempos de pandemia diminuiu ainda mais. Incluindo os adultos, pais ou responsáveis pelos nossos alunos. Uma pesquisa recente envolvendo 33 mil jovens de 15 a 29 anos do Brasil revela a angústia e pedido de socorro às escolas. Voltarei a esta pesquisa mais adiante, mas vale destacar o percentual elevado de alunos decepcionados com suas escolas por não lhes dar segurança emocional.
Ora, o primeiro erro pedagógico grosseiro que estamos cometendo é transpor – ou adequar sem acuidade técnica alguma – o módulo-aula que empregamos desde o século XIX.
Qual seria o tempo de programação de aulas durante a pandemia: cinco dias úteis. Esta deveria ser a medida. Estou sugerindo que cada plano de aula deveria se apoiar na pedagogia de projetos em que os alunos seriam instigados a planejar seu tempo de pesquisa para elucidar um problema ou situação-problema (como se pensou o ENEM originalmente).
O acompanhamento poderia ocorrer por “dicas” fornecidas por programas de rádio (todos têm acesso ao rádio e esta é a experiência mais exitosa de ensino remoto atual, praticado por Alagoas). O diálogo de professores com alunos se daria por mecanismos próximos ao portfólio. Convênios das secretarias de Educação com os Correios ou, nas áreas rurais, com cooperativas que possuem “linhas” de coleta de produtos agrícolas garantiriam o fluxo. Na segunda, professores despachariam cadernos com o projeto da semana e, na sexta, os cadernos retornariam para análise e correção.


Passemos para o que considero ser o segundo erro grosseiro do ensino remoto: desconsiderar a interatividade típica das novas tecnologias de comunicação. A grande maioria das redes de ensino transformaram as plataformas em informação dada, sem interatividade entre alunos. Se há algo significativo no uso das novas tecnologias pelas crianças e adolescentes é a interatividade. Basta acompanhar a troca de mensagens pelo YouTube, Instagram ou as plataformas mais velozes. Eles formam opinião pela interação, pela troca de impressões.
O que estamos fazendo é transformar as plataformas em “folder eletrônico” em que a relação é verticalizada: o comando pedagógico com o objeto passivo do recebimento. Se alguém lembrar da “educação bancária”, matou a charada.
O módulo-aula e o pobre uso das plataformas empregadas para o ensino remoto são irmãos siameses: fazem uma mera transposição das aulas presenciais para o ensino remoto. Coisa de preguiçoso, sejamos honestos.
Chegamos no terceiro erro pedagógico: o foco no resultado (do IDEB e ENEM), negando o desequilíbrio emocional dos alunos.

A pesquisa com jovens que citei logo no início deste fio indica que 30% dos 33 mil jovens pesquisados não sabem se voltarão às aulas no futuro. Parte desses 30% afirmam que esperavam maior apoio emocional nesse momento em que suas famílias perdem renda, morrem parentes por Covid e o futuro ficou nebuloso. O que fazem as escolas? Despejam atividades sem parar, numa sequência desumana. Erramos por ansiedade pedagógica. Esquecemos de entender, antes, as condições concretas de estudo de nossos alunos. Saltamos do mundo real para a construção idealizada de uma aula normal em meio ao caos.

O foco deveria ser a criação de “Rodas de Conversa” entre alunos, espaços em que poderiam relatar suas dúvidas e angústias para reconstruir a crença no coletivo, na escola e na sociedade. A questão central é: estudar para quê? Esta é a chave da comunicação e da pedagogia.


Chegamos no quarto erro pedagógico: acreditar que há uma enorme distância entre educação e desenvolvimento social. Esta crença surge dos modelitos administrativistas e gerenciais da cultura anglo-saxônica que copiamos nas últimas décadas e que o CONSED adora. Focamos nas avaliações externas, nos números, nas tabelas que devem ser preenchidas e nos esquecemos que educação é relação humana. Não há aluno que se concentre se está adoecendo ou se tem familiar sem perspectiva.

Posso relatar casos que vivenciei nesses anos de caminhada na educação brasileira. Vou citar um caso como ilustração. Uma menina furtava lápis e outros objetos dos seus coleguinhas de sala. Um técnico formado para visitar famílias – o articulador comunitário – foi à sua casa. Ao chegar à residência da família da aluna, foi atendido pela avó, que se desesperou quando soube do comportamento da neta. Chamou a neta e ouviu da criança que ela furtava para ser presa e, assim, ficar com a mãe que cumpria pena por ser “mula” do tráfico de drogas. O impacto dessa informação levou a mãe a ter sua sentença reformada. Voltou para casa com tornozeleira eletrônica. Em três meses, a aluna voltava ao seu padrão de comportamento. Não há como existir educação sem equilíbrio familiar.

Nessa ansiedade da “sociedade do desempenho”, o Brasil se esqueceu da função da educação e da pedagogia. A formação de nossos alunos não se dá somente pela escola. A formação formal concorre – ou se associa – com a formação familiar, principalmente em período pandêmico. É comum gestores educacionais distinguirem a estratégia educacional do que consideram “assistencialismo” (na verdade, política de desenvolvimento social). Equívoco grosseiro de quem estacionou no século XX. Todos os estudos internacionais indicam exatamente o contrário.
Temos, portanto, um desafio educacional gigantesco. Precisamos ouvir mais e estudar mais ao invés de criar atalhos pedagógicos que estão dando com os burros n’água. Muitos pais ou responsáveis trabalham fora. Com quem deixar seus filhos? Muitos pais trabalham em home-office: como dividir tarefas profissionais com familiares se os dois espaços se confundem? É grande parte dos pais que afirmam que os conflitos familiares aumentaram neste período.


Ao mesmo tempo, não há como as aulas presenciais retornarem neste momento em que batemos recordes diários de mortes por Covid em nosso país. A Fiocruz sugere que somente quando chegarmos a um infectado novo por dia a cada 100 mil habitantes poderemos ter aulas presenciais.

Não há atalhos. Temos que ser profissionais. Não podemos nos render às respostas fáceis e superficiais. Temos que criar uma comunidade científica entre educadores. Definir rumos corretos, socializar experiências exitosas. Basta de gerencialismos que andam em círculos. Que sejamos menos ansiosos e mais profissionais.

Publicado: https://jornalistaslivres.org/os-erros-pedagogicos-que-estamos-cometendo-durante-a-pandemia

Pesquisado em 21/03/2021 Jornalistas Livres, https://jornalistaslivres.org/