Amplamente divulgado na imprensa, cita o baixo índice das notas e índices de matemática, por conta da divulgação do IDESP - Índice de Desenvolvimento Educacional do Estado de São Paulo. São várias linhas de análise. Procuramos descrever abaixo algumas opiniões:
Folha Dirigida, 07/10/2010 - Rio de
Janeiro RJ
Como atrair o aluno para a escola?
Paola Azevedo
A instituição educacional sob o ponto
de vista de seus protagonistas. Assim foi a pesquisa "Megafone na
Escola", uma ação no segundo segmento do ensino fundamental, idealizada
pelo Instituto Desiderata em parceria com a Secretaria Municipal de Educação do
Rio de Janeiro (SME). O estudo foi realizado com o intuito de mostrar o que os
principais envolvidos na educação esperam da escola. Para isso, entre março e julho
de 2010, diretores, professores e alunos do 8º e 9º anos de 39 escolas
municipais foram ouvidos em uma pesquisa de opinião sobre os desafios do
segundo segmento. Os dados colhidos são referentes ao modo de pensar de 2.194
alunos e 277 professores, a maioria com mais de 10 anos de profissão, além de
39 dirigentes de escolas. De acordo com os organizadores da pesquisa, o enfoque
foi o segundo segmento por este apresentar questões preocupantes. Segundo o
Instituto Desiderata nessa fase há uma mudança nos alunos em diferentes
aspectos. É no segundo segmento que começam as transformações da adolescência,
além disso, os estudantes se deparam com um maior número de disciplinas e de
professores.
Ainda de acordo com o estudo, há poucas
pesquisas voltadas para essa etapa de ensino, pouco investimento privado e
nenhuma política específica para suas questões. O segundo segmento do ensino
fundamental apresenta ainda altos índices de defasagem, principalmente no 6º
ano, e números elevados de evasão escolar, mais concentrado no 9º ano. Outro
aspecto de grande relevância, e preocupação por parte dos educadores, no
segundo segmento é a transição para o ensino médio. A velha história de que o
ensino médio é um gargalo na educação é confirmado pelos dados que mostram a evasão
escolar no último ano do ensino fundamental. Dados da SME de 2010 mostram uma
alta queda nas matrículas, principalmente no 9º ano. Nesse ano, foram
registradas 67.607 matrículas no 7º ano, 55.245 no 8º e apenas 49.723 no
último, uma diferença significativa. Os números do Sistema de Avaliação da
Educação Básica (Saeb) também não são animadores para o segmento. O percentual
de alunos que aprendeu o que era esperado em cada série mostra um baixo
desempenho. Segundo dados do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas
Educacionais Anísio Teixeira (Inep), de 2007, entre os estudantes do 9º ano do
ensino fundamental, apenas 20,80% aprenderam o que deveria em Língua
Portuguesa. Menor ainda foi a porcentagem na disciplina de Matemática, só
12,10%. Mas o que fazer para tornar a escola mais atraente? Como atrair e
manter os estudantes em sala de aula ao longo das fases de estudos? O que é
preciso ser feito para garantir que, estando na escola, o aluno aprenda
efetivamente e esteja preparado para o futuro?
"Motivação é interior",
afirma educadora - O "Megafone na Escola" perguntou a opinião de
alunos, professores e diretores sobre o que seria mais importante para que a
escola se tornasse um lugar melhor para estudar. Neste caso, levaram em
consideração aspectos como limpeza, espaço para esportes, contato com a
diretoria, regras de convivência, acesso aos computadores com internet e
participação da família. Tanto professores quanto alunos responderam que aulas
mais diversificadas, ou seja, com uso de computador, internet e outras mídias,
fariam da escola um local mais interessante, 50,5% e 24,6% respectivamente. Se
os principais envolvidos no processo educacional concordam quando o assunto é o
uso das novas tecnologias, o que falta então para que isso aconteça? Embora a SME
possua o projeto "Escola 3.0", que prevê para as turmas de segundo
segmento, um computador com projetor e caixas de som em cada sala de aula, além
de um notebook para cada três alunos e rede wireless com banda larga fosse
disponibilizado, a realidade é outra. A maioria das escolas têm local com
computadores, mas não possui internet disponível ou não utiliza nas aulas.
Para alguns, o uso da grande rede pode
contribuir positivamente para a formação. Para outros, é uma alternativa
perigosa. O uso das mídias, principalmente o computador e internet, divide a
opinião de profissionais da educação. Nilda Teves, que já lecionou Matemática e
Física e hoje é doutora em Educação pela Universidade Federal do Rio de Janeiro
(UFRJ), é uma das que considera que tal uso deve se dar com cautela.
"Tornar uma aula de Matemática sedutora é fazer com que o menino se
interesse e compreenda que a disciplina tem uma lógica e que ela se desdobra
para muitas outras coisas, no seu próprio dia a dia. O meu grande medo é que se
reduza a sala de aula, a sala de desenvolvimento cognitivo, desenvolvimento da
sensibilidade e de valores, apenas às informações de multimídia", afirma.
"A multimídia não pode ser um álibe da não ação pedagógica. A motivação
tem que ser interior", completou Nilda Teves. Lia Faria, ex-secretária
Estadual de Educação do Rio e professora da Faculdade de Educação da
Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), por sua vez, destaca a
presença do docente nesse novo processo de aprendizagem. "O uso das mídias
por si só não irão garantir uma boa educação. Na verdade, o principal agente
social em qualquer tempo e hoje também será sempre o professor. Nas comunidades
mais pobres é muito mais difícil educar. Quando a pobreza já atinge e intimida
a família. As escolas precisam estar voltadas e adequadas para as realidades
socioeconômicas do aluno. Talvez seja muito mais importante esse olhar do que
equipar a escola com computadores", observou Lia.
Participação da família na educação é
imprescindível, revela pesquisa - Números de 2009 da Organização Não
Governamental (ONG) Rio Como Vamos, mostrou o percentual de alunos com dois
anos ou mais de defasagem em relação a idade ideal para as séries. Os dados
revelaram que no segundo segmento, o 6º ano é o que apresenta o índice mais
alto de defasagem. A série apresenta um percentual de 22,09% contra 16,97% no
7º, 15,63% no 8º e 14,2% no 9º. Na pesquisa do Desiderata e da SME,
professores, quando perguntados sobre os motivos que levam os alunos a
abandonarem os estudos nosexto ano, destacam a família como principal
responsável. Para 24,5% dos docentes que responderam à pesquisa o principal
fator de desistência é o fato de os pais não valorizarem os estudos. Na visão
de Nilda Teves, a questão da valorização depende muito da realidade de cada
estudante e do significado da escola para aquela família. "Temos que saber
bem o que é não valorizar os estudos. Muitas vezes, o discurso dessas famílias
é de quem não passou pela escola e se passou, passou mal, e de que não é a
escola que vai tirar a família da miséria e que não é a escola que acena para
um futuro melhor." Ainda assim, a educadora reconhece o papel importante
que os pais e responsáveis têm na formação dos estudantes. "Eu sempre vi a
família como a base. Ela tem que estar presente na construção dos valores do
ser humano, o justo, o injusto, o bem e o mal e isso a escola não dá conta de
fazer", comenta. Nilda opina também quanto aos principais motivos que
fariam o aluno deixar os estudos. "A ideia de evasão é que a criança saiu
porque quis ou porque a escola mandou embora, mas não é assim. Grande parte dos
alunos saem porque a escola não significa nada para ele ou porque ele não
consegue aprender".
E é exatamente esta realidade que
confirmam os demais dados. Dos professores entrevistados para o Megafone, 24,5%
consideram que o jovem abandona a escola porque chega sem conhecimentos
básicos; outros 11,6% acreditam que o motivo seja o trabalho, muitos alunos,
cuja condição financeira é baixa, precisam ajudar no orçamento doméstico. Em linhas
gerais, o estudo reflete a realidade do ensino no segundo segmento no Rio.
Muitos passos ainda precisam ser dados para que a educação avance efetivamente
e para que esse avanço continue ao longo da vida acadêmica. Com a experiência
de quem já esteve a frente da educação no Estado, Lia Faria cobra soluções.
"Tanto professores quanto alunos estão insatisfeitos. Faltam realmente
políticas públicas consistentes, que de fato priorizem a educação". E para
concluir, a educadora cita um dos mais reconhecidos educadores, Paulo Freire.
"Nosso grande educador dizia que 'não há revolução sem educação'. O grande
problema do Brasil continua sendo a falta de uma educação realmente democrática
e cidadã."
Leia também o artigo:
Família é responsável por até 50% do desempenho do aluno
Julio Jacobo Waiselfisz, sociólogo e diretor de Pesquisa e
Avaliação da Sangari, responsável pelo estudo “O Ensino de Ciências no Brasil e
o Pisa”
Agência Estado
Um ano a mais de ensino básico e uma carga horária maior no
ensino de ciências são algumas das sugestões que o sociólogo Julio Jacobo
Waiselfisz apresenta para tentar acelerar a melhora no desempenho dos
estudantes brasileiros. Ao analisar os resultados do Programa Internacional de
Avaliação de Alunos (Pisa, na sigla em inglês) de 2009, o especialista concorda
com a opinião geral de diversos colegas, de que a melhora dos estudantes
brasileiros em relação ao exame de 2006 está longe de colocar o Brasil num
nível aceitável de qualidade na educação, e que o ritmo dessa melhora é
insuficiente. Por isso Waiselfisz defende medidas concretas, com urgência,
começando-se pelas menos complexas. Segundo o sociólogo, a adoção
generalizada dos nove anos no ensino básico já poderia somar 44 pontos no
resultado dos próximos exames, muito mais do que os festejados 17 pontos de
alta observados entre 2006 e 2009. No ensino de ciências, que teve o menor
crescimento entre as três disciplinas avaliadas pelo Pisa, uma hora de aula a
mais por semana pode ter um resultado muito significativo.
Waiselfisz ocupa o cargo de diretor de Pesquisa e Avaliação
da Sangari, onde produziu o estudo “O Ensino de Ciências no Brasil e o Pisa”, e
afirma que “os estudantes dos países da Organização para a Cooperação
e Desenvolvimento Econômico (OCDE) têm, em média, 3,2 horas
semanais de aulas de Ciências dentro da escola, enquanto os brasileiros têm
2,2 horas semanais”. O resultado é simples de se observar: os países da OCDE
têm quase cem pontos acima da média brasileira em Ciências. São os países
líderes em desenvolvimento científico e tecnológico. O sociólogo ressalta ainda
o papel da família na formação de crianças e adolescentes. Segundo ele, o nível
familiar tem peso entre 30% e 50% no desempenho do aluno, para o bem e para o
mal. O Brasil tem 42% de seus alunos no nível mais baixo da escala
sociocultural elaborada pelo Pisa. Na Coreia, essa proporção está em 4%. Veja
abaixo os principais trechos da entrevista com o sociólogo:
A
avaliação geral do Brasil no Pisa 2009 é positiva?
Sim, mas pouco. Os dados de 2003 e 2006 mostraram estagnação, passando da média
geral de 383 para 384 pontos, com o Brasil no fim do ranking. Em 2009 chegou a
401, ou 17 pontos acima. Ou seja, saímos da estagnação, mas pela ótica do
atraso histórico em relação aos países mais desenvolvidos, é pouco se quisermos
recuperar o terreno rapidamente, como pretende o Ministério da Educação com a
implantação da Prova Brasil e do Ideb Nacional.
Em
relação às três áreas avaliadas, leitura, matemática e ciências, há diferenças
significativas?
Não. Como todas tiveram subidas discretas, todas tiveram o mesmo papel no
desempenho relativamente fraco da média. A evolução de ciências foi a mais
fraca entre as três, com apenas 15 pontos de elevação sobre 2006, de 390 pontos
para 405 pontos. Leitura, que teve a alta maior, subiu apenas 19 pontos,
passando de 393 para 412 e, matemática, de 370 para 386. Nenhuma das
disciplinas conseguiu dar grande salto em favor da média geral.
Quais
os fatores que levam o Brasil a ficar parado ou andar devagar nas avaliações do
Pisa?
São vários fatores que se somam para criar um panorama complexo, mas a situação
socioeconômico familiar é particularmente cruel. O nível familiar tem peso
entre 30% e 50% no desempenho do aluno, para o bem e para o mal. O Brasil tem
42% de seus alunos no nível mais baixo da escala sociocultural elaborada pelo
Pisa. Na Coreia, essa proporção está em 4%. Na média dos países ricos da OCDE,
10%. O Brasil está pior que o México e Colômbia, que têm 41% de seus estudantes
em famílias de menor nível sociocultural.
De
que forma influi o ambiente familiar?
A família influi de diversas formas. Ela pode criar um ambiente favorável ao
estudo dentro de suas possibilidades. Está demonstrado que pais que conversam
com seus filhos sobre diversos temas também influenciam na aprendizagem. Criar
um pequeno espaço para o estudante em casa, uma mesinha e estimular uma criança
a pegar um livro na biblioteca pública são atitudes que contam muito.
Falta
investimento na educação brasileira ou o dinheiro é mal gasto?
As duas coisas, mas há uma distorção na leitura que se faz dos investimentos. Se
tomarmos o quanto do Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil é investido em
educação, cerca de 5% do PIB, estaremos igualados à Alemanha. Porém, como o PIB
alemão é muito maior que o brasileiro, a Alemanha investe US$ 6.400 por aluno,
enquanto o Brasil investe US$ 1.150. O investimento por aluno é muito melhor
indicador do que o porcentual sobre o PIB. O Quênia, na África, investe 7% do
seu PIB em educação, mas cada aluno tem investimento de US$ 245, e por isso a
educação naquele país é uma das piores do mundo, apesar dos 7% de investimento
sobre o PIB.
Que
medidas o Brasil poderia tomar para tentar reverter rapidamente o quadro atual?
Algumas coisas simples e que já foram iniciadas, como o aumento de oito para
nove anos de escolaridade no ciclo fundamental. Os alunos brasileiros que
participaram do Pisa 2006 tinham 8,74 anos de estudo, melhor apenas do que a
Estônia entre os 57 países que participaram. Reino Unido, por exemplo, tem 11
anos de estudo e a Nova Zelândia, 10,9. Há bem pouco tempo que essa distorção
começou a ser corrigida. Segundo o Pisa, um ano a menos significou a perda de
12% no resultado de ciências de um estudante. Essa diferença significa nem mais
nem menos do que 44 pontos, bem mais do que os 17 pontos ganhos entre 2006 e
2009. Só que os resultados de uma medida tão simples e correta só serão
sentidos nas próximas edições do Pisa. Até agora, os alunos de 15 anos pertencem
à época do ciclo de oito anos.
Especialistas
colocam que um dos grandes problemas são os baixos salários dos professores
brasileiros. O senhor concorda?
Em parte. Creio que é um dos problemas estratégicos, mas a questão dos docentes
não se resume aos salários baixos. Há uma questão de formação dos professores
que é tanto ou mais séria. E não é uma questão de competência do professor, mas
sim de não cumprimento das legislações nacionais. Cerca de um quarto dos
professores brasileiros não têm escolarização legalmente exigida. A maioria dos
professores não está lecionando em suas áreas de formação. Apenas 43% dos
professores de língua portuguesa têm diploma nessa área de conhecimento. Em
matemática, são apenas 36%. Só 15% dos professores de física têm formação em
física. Metade dos professores dessa disciplina é formada em Matemática. É um
problema muito sério.
Qual
outra solução o senhor apontaria?
Outra questão que afeta a eficiência do ensino é a jornada dos alunos, a
quantidade de horas/aula ministradas para cada disciplina. Os países avaliados
pelo Pisa com melhor desempenho têm jornadas maiores para os alunos. Isso é
importante, sim. Os estudantes dos países da OCDE têm, em média, 3,2 horas
semanais de aulas de ciências dentro da escola, enquanto os brasileiros têm 2,2
horas semanais. Essa diferença atinge as outras disciplinas também. Esse é um
dos motivos do abismo que existe quando se compara o resultado em ciências
entre Brasil e países da OCDE. A média dos países europeus está quase cem
pontos acima. As escolas brasileiras não conseguem sequer cumprir as quatro
horas diárias previstas legalmente. São greves, feriados, semanas de prova,
atividades extras, faltas de professores sem reposição e até o horário do
recreio que, somados, vão tirando muitas horas/aula dos estudantes. Uma perda
irreparável.
Matéria publicada na Folha de São Paulo, 14 de dezembro de 2010
Enfim, aulas significativas, acompanhamento efetivo dos pais e responsáveis, formação e profissionalismo do professor, troca de informações entre a comunidade escolar e família, apoio com projetos e principalmente a conscientização dos alunos da importância da educação em sua vida; são elementos indispensáveis para a aprendizagem dos alunos.
Nossa escola, tem como pilares da educação a LEITURA, que proporcionam maior acervo de palavras que necessariamente auxiliam na interpretação do texto, e o desenvolvimento das COMPETÊNCIAS E HABILIDADES, que proporcionam a interdisciplinaridade; a possibilidade real de todas as disciplinas trabalharem em conjunto com as maiores dificuldades de cada turma.