Torcedores de time argentino pintam o
próprio estádio
Torcedores do Douglas Haig, equipe que disputa a Primera B
Nacional, a segunda divisão do futebol argentino, aproveitaram a greve
organizada por todos os times do campeonato para revitalizar o Miguel Morales,
estádio do clube, na cidade de Pergamino, a 230 km de Buenos Aires. A
Subcomissão de Torcedores do Douglas organizou uma pintura geral no local no
último sábado.
Antes de começar a
colorir o estádio com o vermelho e preto da bandeira, cerca de 100 torcedores
fizeram uma limpeza geral com uma lavadora de alta pressão que, assim como a
tinta usada na reforma, foi adquirida pelos próprios torcedores com dinheiro
proveniente de rifas, jantares e venda de camisas do Douglas, como explica o
presidente da Subcomissão, Pablo Verrengia. "Pintamos o chão de três arquibancadas,
além do campo e da sede do time, tudo por meio do nosso esforço. Também
confeccionamos duas bandeiras gigantes", conta.
O quanto esta notícia ((Estadão, caderno de esportes, 04/10/16), tem relação com a educação? Muito, se relacionarmos que as ações executadas foram através do voluntariado. O site Seja um voluntário mostra o tema assim: "....segundo definição das Nações Unidas, "o voluntário é o jovem ou o adulto que, devido a seu interesse pessoal e ao seu espírito cívico, dedica parte do seu tempo, sem remuneração alguma, a diversas formas de atividades, organizadas ou não, de bem estar social, ou outros campos..."
Pessoas que se oferecem para uma atividade sem remuneração, qualquer que esta seja, é raro. Já é difícil, sem generalizarmos, pessoas que recebem, trabalharem de fato. Muitas vezes lembro da frase do Vampeta, ex-jogador, que na época que estava no Flamengo, dizia :" eles fingem que me pagam e eu finjo que jogo".
O quanto é difícil aparecer pessoas dispostas a ajudar, seja na limpeza, no corte do mato, na pintura, na troca de lâmpadas, limpar calhas, desentupir canos. O quanto é fácil aparecer pessoas que dizem ter "ajudado a construir a escola", digo que, salvo que sua profissão fosse a de pedreiro, servente, mestre de obras à época, nos últimos 14 anos não ajudou em nada, já que não presenciei, estando aqui todo este tempo. Não que se desobrigue o Estado a cumprir suas obrigações com verbas coerentes e pontuais, mas preservar nosso patrimônio, apresentar atitudes de cooperação, responsabilidade, solidariedade, muda o mundo, muda nossa escola. Assim, sem discurso bonito, mas com ações.
Ao lermos os projetos e suas contribuições por eles desenvolvidos, verificamos que têm em comum a proatividade, o pensar, em seu íntimo, no que pode ser útil, em que pode fazer a diferença. Depois de ter este firme propósito, buscar apoios, muitos ali bem próximos...
Não faltam alunos com olhos brilhando...