sábado, 5 de dezembro de 2020

Melhor professor do mundo é indiano e divide prêmio com finalistas

 

Melhor professor do mundo’ é indiano e divide prêmio com finalistas

Com a presença do educador em vilarejo indiano, casamentos entre adolescentes deixaram de ser comuns e frequência escolar chegou a 100%. Brasileira ficou entre os dez finalistas de premiação considerada o Nobel da Educação

AUTORAS NEGRAS PARA CONHECER

 

11 autoras negras para conhecer e levar para sua sala de aula

Apresentar essas escritoras é reforçar que o lugar da mulher negra é amplo

Por PAULA SALAS


ARTIGO DA REVISTA NOVA ESCOLA


“Por que as mulheres que estão na minha vida não estão nos livros que leio na escola?”. Foi esse questionamento que passava pela cabeça de Calila das Mercês, doutoranda de Literatura na Universidade de Brasília (UnB) e pesquisadora dos movimentos, representações e (re)mapeamentos de mulheres negras na literatura contemporânea.

Nascida na Bahia, Calila sentiu falta da presença de autoras negras nas festas literárias e nas leituras da escola. “Senti a necessidade de perguntar onde estão as autoras negras do meu estado”, conta. Foi assim que surgiu o Escritoras Negras na Bahia, portal que faz um (re)mapeamento das escritoras negras do seu estado. Na plataforma é possível pesquisar pelo mapa ou pela lista completa de autoras. Ao entrar em cada autora, há um pequeno perfil da escritora com formas de contato. “Elas já estão aí, já estão colocadas. O que eu faço é dialogar com elas e colocá-las para o mundo”, afirma. 

Evidenciar essas autoras é um reforço de que o lugar da mulher negra é amplo. “Não é somente no estigma. Elas escrevem sobre tudo, não somente sobre negritude, mas sobre amor, maternidade, sobre uma humanidade negra que nos é tirada, do que constitui ser uma pessoa”, diz a pesquisadora. 

Mas por onde começar a conhecer essas autoras? Calila e outras especialistas indicaram autoras negras importantes para você, professor, conhecer e levar para sua turma. Confira abaixo 11 sugestões com uma pequena biografia de cada uma delas:

AUTORAS NACIONAIS

Carolina Maria de Jesus

Nascida em Sacramento (MG), Carolina Maria de Jesus mudou-se para São Paulo quando a cidade vivia o surgimento das primeira favelas. Tinha o hábito de ler o tempo todo e logo começou a escrever. Sua rotina como catadora de lixo no Canindé resultou em sua obra mais famosa: Quarto de Despejo. O livro foi publicado em 1960 e foi um sucesso instantâneo, a obra foi traduzida para 13 idiomas e distribuído em mais de 40 países. No entanto, a sugestão das especialistas para os professores de Fundamental II coincidiu: Diário de Bitita.

Bianca Santana

Nascida em São Paulo, Bianca é jornalista, professora e escritora. Um dos seus livros mais conhecidos é o Quando me Descobri Negra. Para Denise Guilherme, todos deveriam ler essa obra: "Ela traz uma potência para a discussão do racismo, a partir de sua experiência", afirma. 

Louise Queiroz 

Nascida em Salvador (BA), Louise é estudante de Letras e poeta. Começou sua trajetória na literatura em 2016, quando foi publicada na coletânea de poemas Enegrescência e na série Cadernos Negros. Após aparecer no portal Escritoras Negras da Bahia, Louise fez a publicação do seu livro de poesias Girassóis Estendidos na Chuva.

Cristiane Sobral

Nascida no Rio de Janeiro, Cristiane Sobral é atriz, dramaturga, poeta e escritora. Em 2000, fez sua estreia como autora ao ter seus textos publicados na série Cadernos Negros. Um dos seus trabalhos mais reconhecidos é a coletânea de poemas Não Vou Mais Lavar os Pratos

Conceição Evaristo

Mineira nascida em Belo Horizonte, Conceição Evaristo é escritora e professora. Sua carreira como autora começou na série Cadernos Negros, nos anos 90, quando publicava seus contos e poemas. Com publicações internacionais, entre as obras mais conhecidas temos Ponciá Vicêncio e Olhos d’água - obra que lhe rendeu o Prêmio Jabuti em 2015. Em 2018, candidatou-se para a Academia Brasileira de Letras, recebeu mais de 40 mil assinaturas em um abaixo assinado, porém não foi escolhida. 

Em entrevista a NOVA ESCOLA, ela comentou sobre o caso: "Minha candidatura teve uma representatividade construída, valorizada e apresentada fora dos muros da academia. Representou o desejo de um coletivo que não é composto só por pessoas negras. Fiquei muito surpresa com a repercussão, isso alimentou meu dever e convicção de participar da eleição. Nunca uma campanha mobilizou tanto. Isso marca a história da academia, mas marca também a nossa, de uma escritora inserida dentro de um coletivo. E isso, sem sombra de dúvidas, carrega questões políticas", contou.

Jarid Arraes

Nascida em Juazeiro do Norte, no Ceará, Jarid é escritora, poeta e cordelista. Sua história com a literatura é antiga. Ela cresceu consumindo os cordéis criados pelos seu avô e seu pai. Um dos seus trabalhos mais conhecidos é seu livro de contos Redemoinho em Dia Quente, que traz como foco as mulheres da região do Cariri, no Ceará. A jovem também tem outros três títulos publicados: o livro de cordéis Heroínas Negras Brasileiras em 15 Cordéis, o romance As Lendas de Dandara, a coletânea de poemas Um Buraco com Meu nome

Rita Santana

Nascida em Ilhéus, na Bahia. Rita é professora, atriz e escritora. Como autora publicou seus contos no Diário da Tarde e no suplemento cultural A Tarde. Seu primeiro livro de contos, Tramela lhe rendeu o Prêmio Braskem de Cultura e Arte – Literatura em 2004. Ela também escreveu duas coletâneas de poesias, Tratado das Veias e Alforrias. Para Calila, o professor encontra na poesia de Rita textos potentes para as aulas de literatura. "Dá para brincar com as poesias dela, é um texto muito rico de imagens", comenta.

AUTORAS INTERNACIONAIS 

bell hooks (Gloria Jean Watkins)

Nascida no interior do Kentucky, no Sul dos Estados Unidos, Gloria Jean Watkins é mais conhecida como bell hooks - a escolha da grafia do nome em letra minúscula está na busca em que o foco permaneça na essência dos seus livros e não na sua pessoa. A autora destaca-se pela variedade de suas publicações, que vão desde obras teóricas até memórias e livros infantis. Em suas obras traz forte as discussões racial, de gênero e de classe dentro da sociedade. Essa indicação, mais do que para os alunos, é para os professores. Calila classifica a obra Ensinando a Transgredir - A educação como prática da liberdade como uma leitura essencial para os professores. “Nos inspira a pensar na Educação como liberdade. O professor como alguém que precisa se renovar, se reinventar”, comenta a pesquisadora. 

Teresa Cárdenas

Nascida em Cárdenas, em Cuba, Teresa é atriz, bailarina, roteirista e escritora. Seu desejo de escrever nasceu de ter crescido lendo livros sem personagens negros. Hoje, é vencedora de diversos prêmios e conhecida como uma poderosa voz da literatura para crianças e jovens. Entre suas obras, destaca-se Cartas Para a Minha Mãe. Calila ressalta, ao indicar a obra, na beleza e no poder de seus textos. 

Chimamanda Ngozi Adichie

Nascida em Enugu, na Nigéria, Chimamanda é um dos maiores nomes da literatura contemporânea e tem chamado a atenção do mundo para a literatura africana. Com diversos livros traduzidos ao português, Bruna Paiva de Lucena ressalta o livro Hibisco Roxo para trabalhar com as turmas de Fundamental 2. 

Octavia Butler

Nascida na Califórnia, nos Estados Unidos, Octavia Butler é uma autora consagrada na literatura de ficção científica. Apesar de ser aclamada desde o fim dos anos 1970 nos Estados Unidos, não é até recentemente que seus livros foram traduzidos e chegaram ao Brasil. Em suas obras, as questões racial e de gênero ganham força em cenários distópicos protagonizados por personagens negros. É considerada uma das maiores referências e pioneiras do movimento afrofuturista na literatura mundial. 


ENSINO HÍBRIDO

 

O que é o ensino híbrido - e o que ele não é

A volta parcial das aulas presenciais tem gerado confusão sobre esse modelo de ensino, que é diferente do ensino remoto que vigora nas escolas neste momento

Por CAROL SCORCE


ARTIGO DA REVISTA NOVA ESCOLA

Em uma escola “X”, parte da turma está tendo aulas remotas, através de listas de atividades, roteiros de estudos e aulas em vídeo, gravadas ou ao vivo. A outra parte da turma vai até a escola e tem aulas presencialmente. Essa escola adotou o método de ensino híbrido, correto? A resposta é... Não! Diante de um cenário inédito, que emergiu de repente, a volta parcial dos alunos para as aulas presenciais está provocando o uso equivocado do termo ensino híbrido.

E o problema é maior do que uma boa dúvida sobre nomenclatura. Especialistas ouvidos por NOVA ESCOLA explicam que a má compreensão da modalidade pode ter efeito inverso: em vez de esclarecer e ajudar, pode confundir e atrapalhar. Então, se o que estamos vivendo não é ensino híbrido, o que seria, afinal? 

A verdade é que, com a pandemia, a Educação está atravessando um momento disruptivo (guarde esta palavra, vamos usá-la mais adiante). Ora as aulas param por completo, ora são feitas on-line, ora parcialmente presencial - e o futuro, sabemos, é incerto. As definições para  os modelos de ensino possíveis neste momento estão sendo inventadas no momento mesmo em que o modelo nasce. E é assim que surgiram expressões como “ensino remoto emergencial” ou “ensino remoto” - termo que NOVA ESCOLA preferiu adotar desde o início da quarentena, em março. Estamos trocando a roda com o carro andando. Mas uma coisa é certa: ensino híbrido não é. Ou é?

“Se o professor estiver usando intencionalmente algum tipo de tecnologia digital para coletar dados da turma, a fim de qualificar os momentos presenciais do ensino, personalizando o aprendizado, de maneira a sanar defasagens, e prevendo a autonomia e protagonismo do aluno, e, principalmente, a integração entre on-line e off-line e entre os saberes de cada aluno”, sim, é ensino híbrido, responde o especialista Fernando Trevisani, consultor desta Caixa. 

O falso híbrido é a nova aula expositiva 

Integração é a palavra-chave no ensino híbrido. A modalidade pressupõe que as propostas desenvolvidas presencial e virtualmente sejam complementares. Ou seja, os planejamentos precisam dialogar entre si. Portanto, gravar uma aula na escola, com parte da turma assistindo na escola e parte assistindo em casa, não pode ser considerado ensino híbrido. 

“Ao contrário, isso, que é o que muitas escolas estão pensando em fazer neste momento de retomada parcial do presencial, é radicalizar a aula expositiva. E ensino híbrido vai na direção contrária”, afirma Leandro Holanda, mestre em Ciências pela Universidade de São Paulo e professor de Metodologias Ativas na pós-graduação do Instituto Singularidades. “Ele [o ensino híbrido] propõe desafios aos alunos na medida em que diversifica os métodos. Isso faz com que os alunos trilhem o caminho que faz mais sentido para ele”, explica. 

Para o especialista, o mais importante agora, quando as escolas estão pensando os próximos passos, é que o desenho do ensino preveja a integração entre on-line e off-line. “As escolas têm muitos dilemas hoje, como diminuir as defasagens. Talvez faça mais sentido, para algumas, continuar no on-line e qualificar os momentos presenciais, como no modelo virtual aprimorado. Mas a questão é integrar esses mundos, e não tirar do aluno a autonomia e o protagonismo que ele pode ter atingido neste momento”, sugere Leandro. 

Disruptivo ou Sustentado 

Para que o ensino híbrido se torne parte da cultura escolar, existem alguns modelos, ou estratégias. Na definição da especialista em inovação em Educação, Lilian Bacich, nos termos da recém-criada nomenclatura do ensino híbrido, os modelos de rotação por estações, laboratório rotacional e sala de aula invertida seguem o modelo de inovações híbridas sustentadas - ou seja, estes são os modelos que (aparentemente) vieram para ficar. Eles incorporam as principais características, tanto da sala de aula tradicional quanto do ensino on-line. Os modelos flex, a la carte, virtual aprimorado e de rotação individual, por outro lado, estão se desenvolvendo agora, de modo mais disruptivo em relação às inovações sustentadas (se você deseja entender melhor essas estratégias, leia um glossário feito por NOVA ESCOLA). No blog da Lilian também há muita informação sobre o tema. Mas, para quem entrar de cabeça nessa modalidade, o mais indicado é o livro  Ensino Híbrido: Personalização e tecnologia na educação [Lilian Bacich, Adolfo Tanzi Neto e Fernando Trevisani (orgs.), Penso, 272 págs., R$ 49].

Disruptivo ou Sustentando, o ensino híbrido, tal como desenvolvido no Clayton Christensen Institute, instituição americana precursora no assuntoe difundido por Lilian Bacich, Fernando Trevisani e outros autores no Brasil, está aí para diversificar as maneiras de aprender, fazendo com que o aluno descubra a melhor forma de estudo para si. “Isso acontece quando conseguimos personalizar o ensino, entender o que faz mais sentido para um e para outro. E a coleta de dados existe para fazer essa personalização acontecer”, explica Fernando.

Coletar e analisar dados ainda não é a realidade da cultura escolar no Brasil. Leandro acredita que faltam formação e até mesmo recursos tecnológicos mais simples e baratos para esse trabalho: “Mas um dos maiores entraves é o preconceito. Analisar dados é encarado como olhar apenas para resultados, ou tratar os alunos como números, quando eles estão ali para fazer bons diagnósticos a ajudar o professor nos seus planos de aula”.

Portanto, não é adequado encarar como ensino híbrido a sobreposição de aulas on-line e off-line. E se a realidade escolar tem sido cada vez mais disruptiva com a pandemia, o incerto pode ser terreno fértil para o novo.E