8 dicas para estimular seu
filho a escrever
Como criar um ambiente favorável para despertar e
ajudar seu filho a manter o gosto pela escrita
Para qualquer lugar que se olhe é possível perceber: vivemos
em um mundo letrado. Nomes de lojas, indicações no trânsito, anúncios, destinos
de ônibus, embalagens de produtos, na caixa do brinquedo, no videogame, as letras
estão por toda a parte, dentro e fora de casa. E por isso, o contato das
crianças com a escrita acontece muito antes de isso ser trabalhado formalmente
na escola.
São os pais, portanto, os primeiros a terem a oportunidade de apresentar esse
maravilhoso universo a seus filhos e ajudar a tornar a escrita, mais do que
algo prático, em um prazer. Não se trata, no entanto, de assumir a missão de
ensinar o filho a escrever. Apenas criar (e manter) uma boa base para o
trabalho que a escola fará depois.
"Tão importante quanto um ambiente que seja favorável e estimule a
curiosidade é o respeito ao ritmo da criança. Não é saudável a ansiedade em ver
o filho escrevendo precocemente, pois isso gera uma pressão que poderá levar a
um desinteresse mais para frente", comenta Sonia Maria Sellin Bordin,
fonoaudióloga doutorada pela Unicamp (Universidade Estadual de Campinas).
Mesmo após o período de alfabetização, há muito o que fazer em casa. "É
preciso trazer a escrita para a rotina e envolver a criança em situações nas
quais ela é utilizada", defende Silmara Carina Munhoz, doutora em
psicologia e professora da Faculdade de Educação da UnB (Universidade de
Brasília).
As duas especialistas apresentam dicas de como despertar e ajudar seu filho a
manter o gosto pela escrita.
Repensar a própria relação com a escrita
Para que o estímulo seja efetivo
ele deve vir de alguém que tenha real envolvimento com a escrita. "É
preciso deixar de encarar a escrita como um bicho-papão, enfrentar seus
próprios medos e limites. Caso contrário é como alguém que não gosta de
brócolis querer convencer o filho de que brócolis é gostoso", afirma
Silmara Carina Munhoz, doutora em psicologia e professora da Faculdade de
Educação da UnB (Universidade de Brasília). "Quem tem dificuldades ou
receios pode aproveitar o momento para vencê-los junto com a criança e criar
novos hábitos relacionados ao ato de escrever
Saber que tudo começa com a leitura
Quem lê bastante escreve bem.
Seguir as recomendações de como incentivar o gosto pela leitura é também
estimular a escrita
Criar um ambiente no qual as regras são seguidas
Para escrever é necessário seguir
regras. "Não posso escolher qualquer letra para escrever a palavra casa.
É preciso seguir a convenção estabelecida e isso é mais facilmente compreendido
por quem está acostumado com regras", diz Sonia Maria Sellin Bordin,
fonoaudióloga doutorada pela Unicamp (Universidade Estadual de Campinas
Usar a escrita rotineiramente
Manter papel e lápis ao alcance
de todos da casa e não perder a oportunidade de usá-los nunca. "Chegou
tarde em casa e o filho já estava dormindo? Deixe um bilhete dizendo que você
passou no quarto dele para dar um beijo de boa noite", exemplifica Silmara
Carina Munhoz, doutora em psicologia e professora da Faculdade de Educação da
UnB (Universidade de Brasília).
Outro bom momento é a hora de fazer a lista de compras do supermercado, que
pode ser escrita de forma conjunta, até mesmo pelos menorzinhos (que podem
"anotar" desenhando ou rabiscando que é preciso comprar sua bolacha
favorita)
Promover jogos e atividades com escrita
Sua filha é fã de um ator ou
grupo musical? Que tal, juntas, procurar fotos e informações e escrever um
perfil dele? O menino torce para um time de futebol? Chame-o para fazer como
você um cartaz do time, com as principais conquistas e jogadores famosos. Ou
seja, a sugestão é aproveitar os assuntos de interesse para produções escritas.
"Mas é importante que isso não se torne uma obrigação. E é para ser feito
a quatro ou mais mãos, de forma prazerosa. Não pode ser uma tarefa que a mãe
passa para o filho fazer sozinho e que irá cobrar depois", ressalta Sonia
Maria Sellin Bordin, fonoaudióloga doutorada pela Unicamp (Universidade
Estadual de Campinas)
Valorizar a produção
"As primeiras tentativas da
criança serão rabiscos. Ela fará um garrancho e irá dizer que desenhou a mãe, o
pai, a avó. É preciso reconhecer este grande passo que é entender que um
símbolo pode representar algo e não desestimular dizendo que aquilo não é o
desenho de uma pessoa", diz Silmara Carina Munhoz,
Isso vale para todos os momentos da escrita. Receber um bilhete e logo apontar
que há erros como a falta de uma letra em uma palavra ou que, por exemplo,
"casa" não é escrito com "z", só irá reduzir a
espontaneidade da criança.
Ao contrário, é preciso adotar pequenos gestos, como guardar um desenho ou um
bilhete da criança, ou acompanhar o que o filho escreve em blogs ou nas redes
sociais e interessar-me pela poesia que ele criou. "Isto mostra que você
valoriza esta forma de comunicação", comenta a doutora em psicologia e
professora da Faculdade de Educação da UnB.
É importante também que os pais também produzam e compartilhem suas criações
Preocupe-se com a caligrafia na medida certa

Não é preciso exigir do seu filho
excessos de capricho na letra. O importante é que seja possível entender o que
ele quis escrever. Caso a letra prejudique o entendimento, vale chamar a
atenção. "Um modo bastante prático é deixar um bilhete com um assunto de
interesse de seu filho com trechos impossíveis de ler por causa da letra. Ele
perceberá como isso atrapalha a comunicação", sugere Sonia Maria Sellin
Bordin, fonoaudióloga doutorada pela Unicamp (Universidade Estadual de
Campinas).
Uma saída pode ser os famosos cadernos de caligrafia. Mas o ideal é debater o
assunto com o professor para buscar a melhor solução
Não abandonar o processo
O envolvimento da família com a
escrita não pode ser encerrado só porque já se percebe que a criança ou o jovem
já tem total autonomia no escrever. Os bons hábitos e atividades devem ser
mantidos e ainda ampliados, tornando-se algo natural na rotina.
"É um erro comum. Pais deixam de ler histórias assim que seus filhos
aprendem a ler, privando a criança daquele momento que ela tanto gostava, o que
só desestimula", comenta doutora em psicologia e professora da Faculdade
de Educação da UnB (Universidade de Brasília)