domingo, 14 de abril de 2019

Não temos um computador para cada aluno. E agora?

Não temos um computador para cada aluno. E agora?

POR:
Débora Garofalo
Alunos da professora Debora Garofalo durante aula no laboratório de informática. 
Olá, professores
Hoje quero dividir com vocês minha experiência com o ensino híbrido. Por um tempo, fui resistente a utilizar esta maneira de ensino por ter a ideia equivocada de que para trabalhar com o ensino hibrido era necessário que cada aluno possuísse um computador com acesso à Internet.
Para minha sorte, em uma formação, tive a oportunidade de desmitificar a minha ideia inicial e constatei o potencial do ensino hibrido e as diversas maneiras como ele pode ser trabalhado. Uma delas é a combinação entre o ensino online com o off-line.
No modelo online, o aluno tem autonomia para gerenciar seus estudos, respeitando o seu tempo. Ele pode explorar os diversos espaços da escola utilizando materiais didáticos como livros, revistas e também meios tecnológicos como os próprios celulares, tablets e ou computadores da escola com acesso à Internet. Já o modelo offline é caracterizado pelo estudo em grupos, mediado pelo professor, podendo ser ofertado na sala de aula e em outros espaços da unidade escolar.
A ideia é que ambas as aprendizagens se conectem. E atenção: o ensino híbrido pode ser trabalhado com todas as áreas do conhecimento.
Crédito: Jacqueline Hamine
Dentro deste processo o professor escolherá um modelo de rotação, que consiste em um ambiente, dentro ou fora da sala de aula, onde podem ser mescladas diversas estações de atividades, sendo possível trabalhar o online com offline. As rotações por estações ocorrem com o tempo pré-estabelecido para que os alunos possam mudar de estação, sempre focando em um objetivo comum. Fica a critério do professor formular quantas estações deseja para aquela aula e o tempo que os alunos permanecerão nas estações. Costumo realizar de duas a três rotações de trabalho no mesmo ambiente.
Em uma das aulas de informática, trabalhamos animações e curtas metragens por proporcionar uma aprendizagem autoral e envolvente. Os alunos do 7ª ano resolveram criar uma animação para resgatar a cultura indígena. Para realização deste trabalho, utilizamos o ensino hibrido conectando o online e o offline e as rotações separadas em três estações.
Um grupo de alunos ficou responsável por buscar na internet informações sobre a cultura indígena e produzir coletivamente o enredo para a animação. Outro, utilizou massinha de modelar para montar os personagens e o cenário, montar o stop motion (animação quadro a quadro) através de fotografias. Para cada atividade foi estabelecido o tempo de 14 minutos em cada estação. Após este tempo, houve a troca de estação e, ao final, conversamos sobre a atividade.
O meu papel foi acompanhar as atividades, orientar os alunos e definir objetivos claros para facilitar o aprendizado pelas estações.
Há também o modelo rotacional, em que a rotação é individual e não é necessário passar por todas as estações. 
Confira aqui 9 dicas importantes para aplicação dos modelos de ensino hibrido.
  • A avaliação diagnóstica é uma importante ferramenta para planejar o ensino hibrido. Ela permiti definir estratégias de organização dos alunos e do(s) espaço(s) em sala de aula da melhor forma;
  • Planeje a aula considerando o tempo para a realização das atividades e também se os alunos estarão em grupos ou não, e se as atividades serão online e/ou offline e como você poderá mediar às estações e as dinâmicas propostas para a aula;
  • Realize parcerias e trocas com outros professores para explorar outras áreas do conhecimento e outros ambientes da escola. Através das parcerias é possível que um professor fique com um grupo de alunos realizando uma atividade online e o outro grupo permaneça com o outro professor com uma atividade off-line, com o tempo pré-estabelecido para trocas.
  • Seja claro e objetivo ao expor aos alunos a tarefa que devem realizar. Registre a explicação da atividade em folhas, em um cartaz, na lousa ou até a mesmo espalhada pelo espaço em forma de pistas.
  • Mantenha o diálogo e converse com os alunos sobre colaboração e cooperação.
  • Os modelos de rotações por estações tem de ser independentes, com começo, meio e fim. Isso permite que os alunos passem pelas estações no período pré-estabelecido, e não dependam da estação anterior para realizar a atividade proposta. O professor pode formular quantas estações desejar, considerando que o tempo seja suficiente para os alunos realizarem as atividades.
  • Construa as rotações por estações explorando o potencial das competências e habilidades como: leitura, escrita e o raciocino lógico.
  • Realize uma avaliação com os estudantes, no caso costumo trabalhar as rubricas, onde os critérios são estabelecidos com eles, permitindo uma autoavaliação.
Crédito: Jacqueline Hamine
Conheça também a sala de aula invertida, que visa um estudo antecipado do conteúdo. Com ela, a turma pode realizar uma leitura ou assistir a um vídeo fora do ambiente escolar. Assim as aulas podem ser utilizadas para realização de atividades. Conheça um pouco mais sobre essa modalidade de ensino aqui.  

APRENDIZAGEM COLABORATIVA

Como envolver os alunos na aprendizagem colaborativa

Confira como a metodologia permite engajar os estudantes e sugestões de ferramentas digitais

POR:
Débora Garofalo
Crédito: Getty Images
 A aprendizagem colaborativa é uma maneira efetiva de tornar o aprendizado envolvente e significativo com atuação ativa dos estudantes no processo de ensino e aprendizagem. A metodologia permite o desenvolvimento de equipes de trabalho em torno de um problema real, valorização do conhecimento prévio dos alunos, compartilhamento de saberes individuais e coletivos, além da construção do respeito mútuo e da empatia, trabalhando com a liberdade de expressão e visando atingir um consenso. 
Aprendizagem colaborativa alinhada às competências da BNCC
Pensamento científico, crítico e criativo;
Cultura digital;
Argumentação;
Autoconhecimento e autocuidado;
Empatia e colaboração.
O modelo tradicional de ensino já não condiz com nossa atual sociedade e nem com as demandas e expectativas dos nossos estudantes. A aprendizagem colaborativa é uma forma de romper com as estruturas tradicionais de ensino e alavancá-lo. 

Como implementar a aprendizagem colaborativa na sala de aula 

Além de tendências educacionais como a cultura maker, o pensamento computacional ou a robótica, as ferramentas digitais têm sido grandes facilitadoras da estratégia da aprendizagem colaborativa, Importante ressaltar que as propostas desenvolvidas devem sempre vir acompanhadas de desafios e atividades que privilegiam o trabalho em grupo e a construção coletiva de saberes, situações em que a autonomia e a cooperativismo, devem ser amplamente estimulados.
Entre as ferramentas mais utilizadas na aprendizagem colaborativa, temos:
Chats: proporcionam tempo real, fazem uma extensão da sala de aula e proporcionam colaboração para utilização deste espaço. Importante salientar que o professor estará mediando a conversa, estando à disposição dos alunos, podendo combinar horários estabelecidos. Entre os modelos de chat, a sugestões é escolher os que permitem interação em grupos, como, por exemplo, o Messenger ou grupos fechados de Facebook; Twitter que permite a escrita em 280 caracteres; ou o Google sala de aula, que permite a construção de atividades com recursos de colaboração.
Blogs: temos hoje opções gratuitas, como o Blogspot e Wordpress, em que os estudantes podem postar, comentar e divulgar conteúdos. As plataformas são espaços que ampliam e enriquecem debates, construções de conhecimentos e exercitam o senso comum de forma ética e reflexiva. Toda a comunidade escolar pode se beneficiar deste recurso.
Vídeos: recursos digitais são importantes para o desenvolvimento do trabalho colaborativo. No trabalho com vídeos, a aprendizagem está envolvida ao longo de todo o processo: da elaboração dos roteiros à execução dos vídeos. Eles podem ser produzidos como curtas, documentários e até filmes de animações como o stop motion, que é uma técnica de foto quadro a quadro. 

Avaliação

Outro ponto alto da aprendizagem colaborativa é a oportunidade do docente de avaliar e intervir no processo de ensino aprendizagem de forma mais próxima. O modelo permite que o professor avalie o processo, observe o engajamento, dialogue com os alunos e seus pares, permitindo, desta maneira, uma tomada de decisão mais clara para direcioná-los durante este percurso e possibilitando novos caminhos.
E você, querido professor, como lida com a aprendizagem colaborativa em suas aulas? Conte aqui nos comentários e ajude a fomentar práticas docentes, mais interações e maior autonomia dos alunos.
Um abraço,
Débora Garofalo
Professora da rede Municipal de Ensino de São Paulo, formada em Letras e Pedagogia, mestranda em Educação pela PUC-SP, colunista de Tecnologia para o site da NOVA ESCOLA, Vencedora na temática Especial Inovação na Educação no Prêmio Professores do Brasil e Top 10 no Prêmio Global Teacher Prize, considerado o Nobel da Educação.

quinta-feira, 11 de abril de 2019

Um dia de Code IoT – Internet das Coisas

A pedido do Laboratório de Sistemas Integráveis Tecnológico – LSI TEC, divulgamos a abertura das inscrições para o evento “Um dia de Code IoT – Internet das Coisas”.

A formação será presencial, prática e gratuita. Tem duração de 1 dia e será ministrada em 2019 nos dias 13/04, 27/04, 04/05 e 25/05. Podem se inscrever professores da rede pública de ensino e educadores de ONGs. As vagas são limitadas.

Mais informações e inscrição: www.codeiot.org.br/codeday “Um dia de Code IoT” acontecerá em São Paulo, no Espaço OCEAN da Universidade de São Paulo, Campus Butantã. As despesas de viagem, estadia e alimentação são por conta do interessado.

Um dia de | CodeIoT
www.codeiot.org.br
COMO SE INSCREVER? Escolha o dia de formação, acesse o formulário de inscrição, preencha seus dados e aguarde a confirmação. Serão selecionadas até 60 pessoas por turma.

II ENCONTRO INTERNACIONAL COM ESCRITORES AFRICANOS

Divulgamos o II ENCONTRO INTERNACIONAL COM ESCRITORES AFRICANOS, organizado pela iniciativa Literáfrica Brasil, que ocorrerá nos dias 24, 25 e 26 de maio de 2019, no Centro Cultural Olido – São Paulo.

O projeto surgiu da importância de se preservar a memória do continente africano, que é uma referência antropológica e cultural, e reafirmar a ligação entre o Brasil e o berço da humanidade. Por isso, esse encontro tem como finalidade tornar-se uma referência a nível internacional, incentivar e divulgar autores africanos em todos os gêneros literários e levá-los além-fronteiras, dando assim a conhecer a história e cultura por meio destes encontros.

A primeira edição foi realizada em agosto do no ano passado. E em virtude da grande adesão (Ver link: Flickr, Vídeo 2) de estados brasileiros, Argentina, Chile, Angola e Moçambique, foi proposta uma nova edição com a participação de escritores de países como Nigéria, Angola, Cabo Verde, Guiné Bissau, África do Sul, Camarões, Moçambique e República Democrática do Congo.

O evento propõe reunir escritores dos vários países africanos em palestras, saraus, bate-papo, exposições, lançamentos inéditos e sessões de autógrafos, contação de histórias africanas, exibição de documentários, teatro africano e apresentação musical com cantora africana.

Para se inscrever, clique aqui. Para mais detalhes sobre o evento, clique aqui ou acesse a página da Literáfrica Brasil.

Pedimos, por gentileza, apoio na divulgação do evento. Salientamos que a participação, despesas com deslocamentos e ingressos serão às custas dos interessados.

ABERTURA CADASTRO EMERGENCIAL

EDITAIS
EDUCAÇÃO
DIRETORIAS DE ENSINO
DIRETORIA DE ENSINO - REGIÃO DE CAMPINAS - LESTE
Comunicado
Edital Cadastro Emergencial

O Dirigente Regional de Ensino da Diretoria de Ensino Campinas Leste, nos termos da Resolução SE 71/2018, combinado com o estabelecido na Lei Complementar 1.093/2009, Lei Complementar 1.277/2015, tendo em vista que o número de docentes regularmente inscritos é insuficiente para atender à demanda, torna pública a abertura de cadastro emergencial de candidatos à contratação por tempo determinado para docência, portadores de habilitação ou que apresentem qualificação, nos termos da Del. CEE 157/2016, da Resolução SE 68/2017 e Resolução SE 08/2016, para atuarem como professores junto às Unidades Escolares da Rede Estadual de Ensino, jurisdicionadas a esta Diretoria de Ensino, nas disciplinas de:
- Educação Especial (Atendimento Educacional Especializado
- Sala de Recursos - áreas Deficiências Intelectual, Visual, Auditiva);
- TEA Transtorno do Espectro Autista e Altas Habilidades/ Superdotação);
- Libras;
- Língua Portuguesa;
- Inglês;
- Arte;
- Geografia.
I - Disposições Preliminares:
O processo de classificação regido por este edital será executado nos termos abaixo e terá validade para o ano letivo de 2019. A atribuição de aulas aos docentes e candidatos cadastrados e classificados nos termos deste edital ocorrerá, desde que esgotadas as possibilidades de atribuição de aulas aos docentes e candidatos já inscritos e cadastrados no processo inicial.
II - Do Cadastramento:
Período: de 09-04-2019 a 12-04-2019
Local: Diretoria de Ensino - Campinas Leste - Rua Rafael Sampaio, 485, Vila Rossi, Campinas - SP.
Horário: 3ª a 6ª feira, das 8h30 às 11:30 e das 13h30 às 15h30h.
III - Dos Requisitos:
Para Atuar como professor de Educação Especial (Atendimento Educacional Especializado - Sala de Recursos – áreas Deficiências Intelectual, Visual, Auditiva e Física; TEA Transtorno do Espectro Autista e Altas Habilidades/Superdotação), o docente deverá apresentar habilitação, observada a seguinte ordem de prioridade:
a) Licenciatura em Educação Especial (Parecer CEE 65/2015);
b) Licenciatura em Pedagogia, com habilitação específica na área da necessidade;
c) Mestrado ou Doutorado na área de especialidade, com prévia formação docente;
d) Licenciatura em Pedagogia ou Curso Normal Superior, com curso de especialização realizado nos termos da Deliberação CEE 112/12;
e) qualquer Licenciatura, com curso de especialização realizado nos termos da Deliberação CEE 112/12.
Na ausência de docentes que apresentam as habilitações acima, poderão ser admitidos docentes com as qualificações abaixo e na seguinte ordem de prioridade:
a) os portadores de diploma de Licenciatura em Pedagogia ou Curso Normal Superior com certificado de Especialização, em cursos realizados nos termos da Deliberação CEE 94/2009;
b) os portadores de diploma de Licenciatura em Pedagogia com certificado de Especialização, Aperfeiçoamento ou Atualização, autorizado pela CENP (órgão extinto da Secretaria de Estado da Educação de São Paulo), na área da necessidade, em cursos iniciados antes da vigência da Deliberação CEE 94/2009;
c) os portadores de Curso Normal Superior ou Programa Especial de Formação Pedagógica Superior (Del. CEE 12/2001), qualquer que seja a nomenclatura adotada pelo Programa, com Habilitação Específica ou certificado de curso de Especialização, Aperfeiçoamento ou Atualização autorizada pela CENP (órgão extinto da Secretaria de Estado da Educação de São Paulo), na área da necessidade, em cursos iniciados antes da vigência da Deliberação CEE 94/2009;
d) os portadores de diploma de qualquer Licenciatura, com curso de Especialização realizados nos termos da Deliberação CEE 94/2009;
e) os portadores de diploma de qualquer Licenciatura e com certificado de cursos de Especialização na área de especialidade pretendida, com 360 horas no mínimo;
f) os portadores de diploma de qualquer Licenciatura e com certificado de cursos de Especialização, Aperfeiçoamento, Extensão, Treinamento/Atualização na área de especialidade pretendida, com carga horária de 180 horas no mínimo;
g) os portadores de diploma de qualquer Licenciatura e com certificado de cursos na área da necessidade, fornecidos pela CENP (órgão extinto da Secretaria de Estado da Educação de São Paulo) da Secretaria da Educação do Estado de São Paulo, em cursos iniciados antes da vigência da Deliberação CEE 94/2009;
h) os portadores de diploma de Licenciatura em Letras, com Habilitação em Libras para área da Deficiência Auditiva;
i) os portadores de diploma de Curso superior de Tradutor e Intérprete de Libras para a área de Deficiência Auditiva;
j) os portadores de diploma de qualquer Licenciatura, com certificado de proficiência em Libras, para a área de Deficiência Auditiva, com apresentação de documentos comprobatórios;
k) os portadores de Habilitação Específica para o Magistério (HEM) ou de Curso Normal de Nível Médio, com certificado de curso de Especialização em Nível Médio ou curso de Atualização autorizado pela CENP (órgão extinto da Secretaria de Estado da Educação de São Paulo), na área da necessidade ou com curso de Especialização realizado nos termos da Deliberação CEE 94/2009;
l) os alunos de último ano de curso de Licenciatura em Educação Especial, com habilitação específica na área da necessidade;
Para atuar como professor Interlocutor em LIBRAS, o docente deverá apresentar qualificação, observada a seguinte ordem de prioridade:
1 - portadores de diploma de licenciatura plena em Pedagogia ou de curso Normal Superior;
2 - portadores de diploma de licenciatura plena;
3 - portadores de diploma de nível médio com habilitação em magistério;
4 - portadores de diploma de bacharel ou tecnólogo de nível superior.
Além da qualificação acima, deverá apresentar, pelo menos, um dos seguintes títulos:
1- diploma ou certificado de curso de licenciatura em “Letras -LIBRAS”;
2 - certificado expedido por instituição de ensino superior ou por instituição credenciada por Secretarias Estaduais ou Municipais de Educação;
3 - certificado de habilitação ou especialização em Deficiência Auditiva/ Audiocomunicação com carga horária mínima de 120 (cento e vinte) horas em Libras;
4 - diploma de curso de licenciatura acompanhado de certificado de proficiência em LIBRAS, com carga horária mínima de 120 (cento e vinte) horas;
5 - diploma de curso de licenciatura, com, no mínimo, 120 (cento e vinte) horas de LIBRAS no histórico do curso.
Para Atuar como professor de Lingua Portuguesa, Ingles, Artes e Geografia:
1 - portadores de diploma de licenciatura plena em Letras ou em Geografia, ou em Artes;
2 - aluno de último ano de curso de licenciatura em Letras ou em Geografia, ou em Artes;
3 - portadores de diploma de bacharel ou tecnólogo de nível superior com carga horária mínima de 160 horas de estudo na disciplina;

domingo, 7 de abril de 2019

A importância de ensinar a estudar

A importância de ensinar a estudar

O que consultar quando os professores da sua escola precisam ensinar os alunos a estudarem
Por: Flavia Nogueira
Menina sentada em uma mesa escrevendo em um caderno
Foto: Getty Images
Nem sempre apenas dizer para os alunos “grifem as partes mais importantes do texto” ou “faça um resumo” funciona. Isso porque, muitas vezes, não fica claro como identificar as informações mais relevantes de um conteúdo sem orientações. É preciso ir além e ensinar os alunos a estudarem.
“Aprender a estudar envolve uma dimensão cognitiva, uma relação de ensino mesmo e questões de didática”, explica à NOVA ESCOLA Walkiria Rigolon, pedagoga de formação e pesquisadora sobre trabalho docente e práticas formativas da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e da Fundação Carlos Chagas (FCC).
Os gestores sabem que os professores precisam ir além de apenas direcionar o procedimento que os alunos devem praticar para apoiar seus estudos  (como fichamento, grifo, esquema, exposição oral, debate ou resenha).
Aprender a estudar é uma condição fundamental para dar continuidade na vida escolar e cabe à escola ensinar estas práticas associadas ao estudo. Para ajudar você a passar para os professores a importância de ensinar a estudar com exemplos e práticas, separamos algumas dicas:
1) Uma reflexão com os professores sobre ler para estudar
Situações como explorar a biblioteca para localizar uma informação ou ler para resolver dúvidas, coletar dados – desde os primeiros anos  – , quando bem planejadas e sistematizadas, permitem que os alunos desempenhem bem a tarefa de estudar.
E, neste texto, a coordenadora Eduarda Diniz Mayrink, mostra como, a partir de uma experiência realizada com professores de 3º ano na cidade de Rio Piracicaba (MG), é possível criar uma oportunidade de formação sobre o “ler para estudar”.
2) Leitura em voz alta
Por falar em “ler para estudar” é bom lembrar a importância da leitura em voz alta em sala de aula.
O objetivo aqui é criar um repertório nas crianças com boas leituras, ler para elas textos que não dariam conta de lerem sozinhas, estimular o hábito da leitura entre outros.
3) Envolvendo todas as disciplinas
Muitos gestores ouvem algum membro da equipe comentar que os alunos não conseguem fazer determinado exercício por não compreender o enunciado. Antes de procurar o professor de Língua Portuguesa, o gestor pode estimular educadores de diferentes áreas a refletir sobre seu papel na formação de leitores. Todos podem contribuir para que os estudantes entendam o que estão lendo.
4) Procedimentos de apoio à leitura
Não basta falar “grifem”, “façam um resumo” ou “vamos fichar”. É melhor explicar cada um destes procedimentos e este texto traz detalhes e dicas sobre como marcar palavras-chave, grifar textos, resumir, esquematizar, entre outros.
5) Como formar leitores eficientes
Que tal criar um projeto para envolver professores do 6º ao 9º ano, de todas as disciplinas, para criar na escola alguns procedimentos comuns para que todos se tornem leitores eficientes.
Sugerimos um projeto de formação em três módulos com tópicos como Grifos e Fichamentos, Diagramas e resumos e Notas e Seminários. Todos eles trazem propostas de debates, atividades, textos de apoio, resumos, gráficos, modelos entre outros. Clique aqui para ter acesso aos três módulos. Ou então escolha entreGrifos e Fichamentos, Diagramas e Resumos ou Notas e Seminários.
AO Escolar

Cinco estratégias que as escolas podem adotar para incentivar a leitura

Cinco estratégias que as escolas podem adotar para incentivar a leitura

Em vez de prova, resumo e fichas de leitura, é possível criar atividades que fomentem o gosto pelos livros dentro e fora da escola

POR:
Débora Lublinski
“O verbo ler não suporta o imperativo.” A frase do educador e escritor francês Daniel Pennac resume o desafio de plantar nas crianças a sementinha da leitura por fruição, aquela que não conta para prova ou para nota. Segundo o autor, o famoso “leia!”, com direito a ponto de exclamação, e os mecanismos de controle e avaliação - como os resumos, as fichas e os exames - são ineficientes. Eles apenas tornam a experiência no universo literário uma obrigação, que não vai ser repetida se não for exigida novamente. Como incentivar que os alunos se tornem leitores autônomos? O caminho, segundo as especialistas ouvidas pela NOVA ESCOLA, passa por dar liberdade de escolha aos estudantes e por apresentar obras capitais, especialmente as que eles não teriam acesso sem a mediação do educador.
Nessa perspectiva, algumas práticas escolares precisam ser repensadas. A avaliação é uma delas. “Nenhum adulto responde a questões de interpretação quando termina um romance! Sendo constantemente avaliado, o aluno vai adquirir a representação da literatura como tarefa de escola e, dessa forma, quando tiver cumprido sua trajetória escolar, acabará não se interessando pelos livros”, afirma Maria José Nóbrega, assessora dos Planos de Aula de Língua Portuguesa da NOVA ESCOLA e dos projetos de leitura da Editora Moderna.
Foi o que a professora Débora Sacilotto, da EMEF Francisco Cardona, em Artur Nogueira (SP), constatou ao voltar às salas de aula depois de 16 anos em cargos de gestão. “Toda sexta-feira era feito um empréstimo de livro e, na devolução, os alunos preenchiam uma ficha-resumo. Nós, professores, entendíamos que a tarefa ia ajudar o aluno a organizar as ideias, registrar o que tinha lido e, portanto, facilitar a compreensão. Mas começou a virar uma tortura – para mim e para eles. Os alunos apenas copiavam trechos da obra e eu me via corrigindo 30 lições toda semana”, conta.
Débora percebeu que precisava mudar a estratégia e lembrou de um professor que dizia que o caminho para gostar de ler é encontrar um gênero literário de que se gosta. “Parei para pensar em minha experiência pessoal. Adoro romances - quando começo um, termino rapidinho. Já com livros de autoajuda, a leitura é mais arrastada. Assim, resolvi trazer uma narrativa gostosa à sala”, recorda. O eleito foi Extraordinário (Intrínseca), que conta a história do menino Auggie, de 10 anos. A educadora começou a ler o livro por capítulos, “que nem novela”, para deixar aquela curiosidade do que vai acontecer para o dia seguinte. “Como fala sobre inclusão e bullying, todos se identificaram. Uma aluna ficou entusiasmada porque descobriu que podia ler um livro grosso! Bastava um pouquinho por dia”, conta. Com esse gostinho de quero mais, algumas crianças foram buscar o livro fora da escola, em livrarias e bibliotecas. Não demorou para Débora ver alguns alunos lendo no recreio e pedindo indicação de outros gêneros literários. No lugar do resumo, foi implementada a “Hora do Conto”, um momento de leitura em voz alta do trecho do qual mais gostou e uma conversa descontraída sobre a história. Paralelamente à leitura, um carrinho com biblioteca itinerante circula entre as salas e, após a leitura, cada criança pode recomendar o livro para o colega, justificando o porquê. “O incentivo à leitura impactou no aprendizado, mas não é só isso que conta. As crianças vão carregar os livros para a vida adulta de uma forma prazerosa”, comemora Débora.
No Colégio Equipe, em São Paulo, para desenvolver o hábito de leitura há um acervo mais personalizado da biblioteca de sala, que reúne obras que as próprias crianças trazem de casa, e também o momento da leitura compartilhada. Além da visita à biblioteca, onde, uma vez por semana, acontece o projeto Encontro de Leitura.
Segundo Ana Marotto, orientadora pedagógica do Ensino Fundamental I do Equipe, a iniciativa promove um momento mais livre com o livro: os alunos podem explorar as prateleiras, entender como funciona a organização de uma biblioteca e descobrir seus gostos. Depois, na semana seguinte, a proposta é indicar para um amigo o livro que foi levado para casa. Tereza Sousa, mãe de Anita, de 7 anos, aluna do 3° ano da escola, conta que o projeto acabou se refletindo em casa. “Ela quer levar os livros para passear. Se vamos a um restaurante, ela carrega sua leitura. Percebo que a literatura não ficou associada apenas a um dever – há prazer em ler, o que é fantástico”, conta.
Jogos literários
E o que fazer quando os alunos pegam o mesmo livro para ler, ficam apenas títulos muito comerciais ou elegem uma obra fácil - ou difícil - demais para a sua compreensão? É papel do educador fazer a mediação, pré-selecionando títulos que atendem à necessidade individual ou do grupo. Na escola Stance Dual, em São Paulo, essa curadoria virou uma grande brincadeira. Regina Alfaia, professora do 4° ano e contadora de histórias, acredita que criando jogos é possível requalificar a relação com o livro. “Apenas 30% dos títulos estão no horizonte dos leitores. Não apresentar os 70% restantes é privá-los dessa descoberta”, afirma. Regina criou uma espécie de pescaria na qual os alunos são a isca. “A diversão é saber por qual livro você será fisgado. Para isso, faço uma pré-seleção das obras que acho interessantes e, depois, cubro as capas dos livros. Deixo apenas um fio colorido para fora com um pequeno trecho grudado nele. Os alunos vão passeando entre as mesas, lendo os textos, até serem pescados por uma das narrativas”, detalha. Na hora da devolutiva, em vez de ficha ou resumo, a atividade ganha status de chá literário.
Inspirado nas histórias do inglês Roald Dahl (que sempre descreve a hora do chá em suas obras, como A Fantástica Fábrica de Chocolate), o ritual tem direito a toalha de mesa enfeitada, flores,  xícaras de porcelana e infusões coloridas. “Como quero enriquecer a conversa, separo os alunos em quartetos e eles têm de descobrir por que estão reunidos naquele grupo - ou seja, qual o denominador comum de cada obra que foi lida os conecta? Será o mesmo autor, o gênero, a estrutura do texto, as características da personagem principal, o estilo da ilustração? Todos adoram a proposta. As crianças aprendem pela própria literatura e não apenas pelo conteúdo escolar”, entende Regina.
Desafios no Fundamental II
No Fundamental II, e, mais tarde, no Médio, é comum ver cada vez menos práticas de incentivo à literatura. Com o aprendizado de conteúdos mais sistematizados e, em alguns casos, já focados no Enem, professores e alunos se afastam da leitura por prazer. “É verdade que queremos formar leitores mais potentes ao longo da escolaridade. Para isso, precisamos, sim, trazer obras desafiadoras, o que não significa abandonar os alunos nesse momento”, assegura Andréa Luize, coordenadora pedagógica do Instituto Vera Cruz. A mediação torna-se crucial para que os estudantes tenham maiores chances de se apropriar dos textos e, consequentemente, seguir sozinhos. Cabe ao educador criar mecanismos que ambientem os alunos na narrativa. Valem grupos de estudo sobre uma pré-seleção de obras literárias, analisando semelhanças e diferenças, rodas de leitura entre colegas, leitura compartilhada (na qual o professor ajuda na interpretação) e outras estratégias que vão garantir o apoio necessário ao aluno para ele se tornar um leitor cada vez mais potente, na escola e fora dela
5 ESTRATÉGIAS PARA INCENTIVAR A LEITURA
Crie uma rotinaVale visitar a biblioteca, fazer leitura compartilhada ou ler em voz alta com regularidade.
Escolha x mediação As crianças devem ganhar autonomia, mas o professor também pode intervir, ampliando o repertório e a qualidade
Comunidade leitoraQuando colegas trocam indicações, cria-se uma comunidade leitora, o que amplia o sentimento de pertencer ao grupo.
BibliotecasIncentive o uso desses locais públicos. Ao explorar o espaço, a criança concebe que existe um vasto universo literário - e que ela faz parte dele.
Livro para casaConquiste a parceria da família: a leitura compartilhada enriquece as relações, além de mostrar que a leitura não é só na escola